O advogado Jair Alves Pereira, que defende o tenente-coronel Mauro Cid no julgamento da tentativa de golpe de Estado - Reprodução


A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, abriu os trabalhos da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (2) com uma contestação direta às acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Os advogados Jair Alves Ferreira e Cezar Bittencourt negaram envolvimento de Cid em qualquer plano golpista e defenderam a legalidade da delação premiada firmada com a Polícia Federal.

Ferreira afirmou que a colaboração de Cid é legítima e não decorre de coação. “Não houve pressão. Reclamar da postura de um delegado é exercício de direito, não coação”, disse. O advogado também destacou que Cid não confessou crimes que desconhecia e que sua obrigação era relatar o que viu ou participou. “Ele não tinha conhecimento do Punhal Verde e Amarelo, nem do Copa 22. Não fazia parte dos grupos de WhatsApp e não conhecia esses planos.”

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A defesa sustentou que a delação é meio de obtenção de prova, não prova em si, e que sua invalidação comprometeria o instituto. “A condenação de Cid seria o fim da delação premiada”, afirmou Ferreira.

Na sequência, Bittencourt negou qualquer autoria ou incentivo de conteúdo golpista por parte de Cid. “Não há uma única mensagem de sua autoria propondo ou validando atentado contra a democracia. O que existe é o recebimento passivo de mensagens, sem repasse.” O advogado também descartou participação nos atos de 8 de janeiro. “A acusação confunde vínculo funcional com conduta criminosa. São suposições.”

A defesa de Cid encerrou sua manifestação pedindo a rejeição da denúncia e reafirmando que o militar não teve envolvimento ativo em qualquer tentativa de ruptura institucional.