Mauro Cid, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. (Foto: STF)


A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não existe a ata notarial que teria registrado supostos diálogos entre Cid e o advogado Eduardo Kuntz, defensor do coronel Marcelo Câmara, também investigado no inquérito da tentativa de golpe de Estado.

O documento, que circulou entre aliados de Bolsonaro como prova de que Cid teria violado os termos de sua delação premiada, foi classificado pelos advogados como “apócrifo” e sem validade jurídica.

Segundo a petição enviada ao STF, os advogados de Cid consultaram o 2º Tabelião de Notas da Avenida Paulista, em São Paulo, onde a ata teria sido registrada, e receberam a confirmação de que não há qualquer registro do documento. A defesa sustenta que a suposta ata foi usada de forma indevida para tentar desacreditar a colaboração premiada de Cid, que é considerada peça central nas investigações sobre a articulação golpista após as eleições de 2022.

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O advogado Eduardo Kuntz havia alegado ter conversado com Mauro Cid por meio de um perfil no Instagram, e que, por precaução, teria registrado o conteúdo dessas interações em cartório. A divulgação da ata gerou repercussão entre os réus e seus defensores, que passaram a questionar a integridade da delação de Cid, sugerindo que ele teria mantido contato indevido com outros investigados, o que poderia configurar quebra do acordo firmado com a Procuradoria-Geral da República.

No entanto, com a negativa do cartório sobre a existência do documento, a defesa de Cid pede que o STF reconheça a inexistência da ata e sua inidoneidade como prova. Os advogados afirmam que o episódio revela uma tentativa de tumultuar o processo e de minar a credibilidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O caso reacende o debate sobre o uso de documentos digitais e registros informais como prova em processos judiciais, especialmente em contextos de alta polarização política. A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido da defesa, mas o episódio pode influenciar a avaliação da validade da delação de Cid e o andamento das ações penais contra os envolvidos.

A delação de Mauro Cid já levou à abertura de novos inquéritos e à inclusão de nomes como Jair Bolsonaro e o general Braga Netto entre os investigados. A autenticidade das provas e a conduta dos delatores seguem como pontos sensíveis no desdobramento do caso, que continua a movimentar os bastidores políticos e jurídicos do país.