As finanças públicas do Brasil registraram um saldo negativo de R$ 14,4 bilhões em novembro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira.
O resultado reflete um agravamento das contas em comparação ao mesmo período do ano passado e destaca a persistente dificuldade do governo em equilibrar gastos e receitas.
O déficit primário — indicador que mede a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, excluindo o pagamento dos juros da dívida — foi impulsionado pelo desempenho das empresas estatais e do governo federal. No mesmo mês de 2024, o rombo havia sido significativamente menor, somando R$ 6,6 bilhões.
Embora o governo central tenha registrado um saldo negativo de R$ 16,9 bilhões e as empresas estatais um déficit de R$ 2,9 bilhões, o impacto foi parcialmente amortecido por estados e municípios, que apresentaram um superávit de R$ 5,3 bilhões no mês.
No acumulado dos primeiros onze meses de 2025, o déficit fiscal do setor público consolidado atingiu R$ 61,3 bilhões. Apesar de o número ser elevado, ele representa uma ligeira melhora em relação ao rombo de R$ 63,3 bilhões registrado no mesmo intervalo do ano anterior, e uma recuperação mais expressiva frente aos R$ 119,5 bilhões negativos reportados em 2023.
A situação das empresas estatais, no entanto, permanece sob escrutínio. No ano, essas companhias acumulam um déficit de R$ 10,3 bilhões, um resultado puxado majoritariamente pelas empresas federais, responsáveis por R$ 6,3 bilhões desse total. O restante do saldo negativo divide-se entre estatais estaduais e municipais.
Enquanto o governo luta para conter o déficit, o endividamento do país continua em trajetória ascendente. A dívida bruta do setor público subiu para 79% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro, totalizando R$ 10 trilhões. Economistas monitoram de perto essa proporção, considerada o termômetro mais preciso da saúde financeira de uma nação e de sua capacidade de honrar compromissos com credores. Desde o início do ano, a dívida avançou 2,8 pontos percentuais em relação ao PIB.





