Os Emirados Árabes Unidos são parte importante do cartel petrolífero. (Reprodução: TV)


Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira sua saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), decisão que encerra mais de cinco décadas de participação no cartel.

O país, que desde 1971 integra oficialmente a entidade, era o terceiro maior produtor do grupo, atrás apenas de Arábia Saudita e Iraque.

Segundo comunicado da agência estatal, Abu Dhabi pretende ampliar gradualmente sua produção de petróleo, de forma “responsável e alinhada às condições de mercado”.

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A medida ocorre em meio a tensões crescentes no Golfo Pérsico e ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Esse bloqueio gera incertezas sobre a rapidez com que o aumento da produção poderá chegar aos mercados internacionais.

Nos últimos anos, os Emirados vinham defendendo maior autonomia para ajustar sua política energética, em contraste com a disciplina coletiva exigida pela OPEP. Analistas avaliam que a decisão representa um golpe estrutural para o cartel. Jorge Leon, da consultoria Rystad Energy, afirmou que “a saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a OPEP”, com efeitos de longo prazo que podem enfraquecer a capacidade do grupo de coordenar preços e oferta.

A conjuntura internacional adiciona complexidade ao cenário. A escalada da guerra no Oriente Médio, marcada pelo ataque que matou o líder supremo do Irã em operação conjunta de EUA e Israel, aumenta a volatilidade regional. Ao mesmo tempo, a demanda global por energia segue em trajetória de crescimento, impulsionada por economias emergentes e pela transição energética que, paradoxalmente, ainda depende fortemente do petróleo.

A saída dos Emirados também tem implicações geopolíticas. O país busca consolidar sua posição como potência energética independente, capaz de negociar diretamente com grandes consumidores como China, Índia e União Europeia. Essa estratégia pode alterar alianças tradicionais e reduzir a influência da OPEP sobre o mercado.