Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público prendeu nesta quinta-feira (28) seis pessoas suspeitas de integrar um dos maiores esquemas criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Entre os detidos está o empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido pelos apelidos “Primo”, “João” e “Jumbo”. Segundo as autoridades, ele seria o principal articulador de uma rede bilionária de fraudes no setor de combustíveis.
Mourad foi o alvo central da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto deste ano. As investigações revelaram um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, que teria movimentado mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Apresentando-se como CEO da G8LOG, empresa especializada no transporte de cargas perigosas, Mourad também atuava como consultor do grupo Copape, responsável pela formulação de gasolina a partir de derivados de petróleo. Ele utilizava distribuidoras como a Aster, além de uma complexa rede de fintechs e fundos de investimento, para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento das operações ilícitas.
O esquema envolvia cerca de mil postos de combustíveis em todo o país. Mourad teria estruturado núcleos financeiros, logísticos e empresariais que operavam com empresas de fachada — como padarias e lojas de conveniência — e usava caminhões para desviar metanol e distribuir combustível adulterado.
A investigação também aponta a participação de familiares no esquema. A companheira de Mourad, Silvana Correa, era titular da VM Administração de Bens, usada para ocultação patrimonial. Sua irmã, Amine Mourad, gerenciava a rede Empório Express e a Sudeste Terminais. Já os primos Himad e Ali Mourad atuavam em empresas de engenharia e participações financeiras envolvidas na lavagem de capitais.
Apesar de já ter sido preso em flagrante em 2010 por tentativa de suborno a policiais civis, Mourad continuou operando com influência no setor. Mesmo após a Agência Nacional do Petróleo cassar licenças de empresas ligadas a ele, novas distribuidoras surgiram com laranjas no comando, mantendo o esquema ativo.
Segundo os investigadores, Mourad não apenas financiava atividades do PCC, como também utilizava o mercado financeiro da região da Faria Lima, em São Paulo, como plataforma para lavar dinheiro em larga escala. A operação revelou a sofisticação e o alcance da atuação criminosa do empresário.
Estes são os presos na operação de hoje:
João Chaves Melchior, ex-policial civil
Ítalo Belon Neto, empresário do setor de combustíveis envolvido com sonegação de impostos desde 2001
Rafael Bronzatti Belon, dono da empresa de serviços financeiros Tycoon Technology e do banco digital Zeit Bank
Thiago Augusto de Carvalho Ramos, empresário do setor de combustíveis de Curitiba
Rafael Renard Gineste, sócio-administrador na F2 Holding Investimentos, também no Paraná





