Fotografia de Jeffrey Epstein, sem data, divulgada pelo Departamento de Justiça em dezembro de 2025. (Departamento de Justiça dos EUA)


O espólio de Jeffrey Epstein concordou em pagar até US$ 35 milhões (R$ 183 milhões) para encerrar uma ação coletiva que acusa dois dos assessores do financista de cumplicidade no tráfico sexual de jovens mulheres e adolescentes. A informação consta de um documento judicial divulgado nas últimas horas.

O escritório de advocacia Boies Schiller Flexner, que representa vítimas de Epstein, anunciou o acordo em petição apresentada a um tribunal federal em Manhattan. Se aprovado por um juiz, o acerto põe fim ao processo aberto em 2024 contra o ex-advogado pessoal de Epstein, Darren Indyke, e o ex-contador Richard Kahn, ambos co-executores do espólio.

O espólio já havia criado um fundo de restituição que pagou US$ 121 milhões às vítimas, além de outros US$ 49 milhões em acordos adicionais.

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Segundo o advogado dos dois executores, Daniel H. Weiner, eles não reconheceram qualquer conduta imprópria. “Como não fizeram nada de errado, os co-executores estavam preparados para contestar as acusações até o julgamento, mas concordaram em mediar e resolver este processo para chegar a uma conclusão definitiva”, disse Weiner em comunicado. Ele acrescentou que o acordo oferece “uma via confidencial para alívio financeiro” às vítimas que ainda não receberam compensação.

Epstein morreu em uma prisão de Nova York em agosto de 2019. A morte foi considerada suicídio.

No processo de 2024, os advogados da Boies Schiller Flexner afirmaram que Indyke e Kahn ajudaram Epstein a montar uma rede de empresas e contas bancárias que permitia ocultar abusos e pagar vítimas e recrutadores, enquanto eles próprios eram “ricamente recompensados” pelo trabalho.

O mesmo escritório já havia obtido acordos de US$ 365 milhões (R$ 1,9 bilhão) com os bancos JPMorgan Chase e Deutsche Bank, acusados de ignorar sinais de alerta sobre Epstein, que era cliente lucrativo das instituições.