Forças militares dos Estados Unidos lançaram na madrugada deste sábado (3 de janeiro) uma ofensiva aérea contra alvos na Venezuela, em uma escalada sem precedentes na região. O presidente Donald Trump declarou que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados e levados para fora do país, em meio a uma operação que Washington descreve como “em larga escala”.

Explosões e o som de aeronaves foram registrados nas primeiras horas da madrugada em Caracas e em outras cidades venezuelanas. O governo de Caracas denunciou o que chamou de “agressão militar gravíssima” contra alvos civis e militares nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, onde estão localizados o porto e o aeroporto da capital.
Trump anunciou em sua rede social Truth Social que os Estados Unidos realizaram o ataque em conjunto com agências de segurança e prometeu dar mais detalhes em uma coletiva marcada para as 11h locais (13h em Brasília). Segundo ele, a operação teria como objetivo desmantelar redes de narcotráfico ligadas ao regime chavista, acusação que Caracas nega.

A ofensiva ocorre após meses de movimentação militar americana no Caribe, incluindo o envio de navios de guerra e do maior porta-aviões do mundo. Analistas já apontavam que a presença poderia sinalizar uma tentativa de mudança de regime na Venezuela, governada pelos chavistas há mais de duas décadas.
Imagens circulando nas redes sociais mostram incêndios e colunas de fumaça em diferentes pontos da capital. As primeiras explosões foram ouvidas por volta das 2h, seguidas de novos bombardeios às 2h38, enquanto aeronaves continuavam sobrevoando a cidade.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, afirmou que os ataques afetaram áreas civis e prometeu um “desdobramento maciço” de recursos militares para a defesa nacional. “As forças invasoras profanaram nosso solo sagrado em Caracas e em outros estados, atingindo inclusive áreas civis com mísseis e foguetes disparados de helicópteros de ataque”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu que Washington apresente provas de que Maduro e sua esposa estão vivos. Em comunicado oficial, o governo convocou a população às ruas e declarou “estado de perturbação externa”.
‼️ 🇺🇸💥🇻🇪 BREAKING: Initial reports indicate that the US Marine Corps has launched an amphibious assault operation north of Caracas. Further details are still emerging. pic.twitter.com/FfHcW2t4O2
— Defense Intelligence (@DI313_) January 3, 2026
URGENTE! A Venezuela sofre uma agressão militar dos EUA, com ataques que atingem a população civil da capital Caracas sob o comando de Donald Trump. O imperialismo exporta guerra e destruição, da Palestina à América Latina. Ataque merece repúdio e condenação rápida. É um ataque a… pic.twitter.com/Pkw17MWK94
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) January 3, 2026
🚨🇻🇪🇺🇸 U.S. STRIKES HIT VENEZUELAN AIR FORCE HQ – MASSIVE EXPLOSIONS REPORTED
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) January 3, 2026
Strikes have reportedly targeted El Libertador Air Base, the headquarters of the Venezuelan Air Force, in Maracay.
Major secondary explosions have also been reported following a U.S. airstrike near… https://t.co/Ev4swcPjSE pic.twitter.com/WNOX5OEQei
Puerto de La Guaira pic.twitter.com/l0eNdjFE0F
— Zair Mundaray (@MundarayZair) January 3, 2026
Reações internacionais
O Irã, aliado próximo de Caracas, condenou o ataque e pediu ao Conselho de Segurança da ONU que intervenha imediatamente. “Trata-se de uma flagrante violação da soberania nacional e da integridade territorial da Venezuela”, afirmou o Ministério do Exterior iraniano.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro pediu uma reunião urgente da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da ONU. “Neste momento, bombardeiam Caracas. Alerta a todo o mundo, atacaram a Venezuela. Bombardearam com mísseis”, escreveu em sua conta no X.
Contexto político
O ataque ocorre após a libertação de centenas de manifestantes presos durante os protestos contra a vitória contestada de Maduro nas eleições de julho de 2024. A repressão deixou ao menos 28 mortos e mais de 2.400 detidos, segundo registros oficiais. Organizações não governamentais estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estejam encarcerados.
Trump acusa Maduro de liderar uma rede de narcotráfico e de usar o poder para manter controle sobre as vastas reservas de petróleo do país. Caracas rejeita as acusações e afirma que Washington busca derrubar o governo para se apropriar dos recursos naturais venezuelanos.


