No Paquistão está tudo pronto para novo encontro entre os países em guerra. (Reprodução: TV)


Representantes dos Estados Unidos e do Irã iniciam neste fim de semana, no Paquistão, uma nova rodada de negociações na tentativa de destravar um acordo de paz. O diálogo ocorre de forma indireta, com o governo paquistanês atuando como mediador entre as partes.

Os enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, embarcam neste sábado (25) para Islamabad. Eles devem analisar uma resposta por escrito do regime iraniano a uma proposta americana anterior. O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, já está na capital paquistanesa, onde se reuniu com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com a cúpula militar do país.

Divergências e cautela

Apesar do otimismo declarado pela Casa Branca — a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, afirmou que os iranianos “querem negociar” —, o clima nos bastidores é de cautela. A ausência do vice-presidente, J.D. Vance, que liderou as conversas em abril, sinaliza que a missão atual tem caráter prospectivo.

Teerã mantém um discurso ambíguo.

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Enquanto fontes do regime citadas pelo portal Axios admitem um possível encontro na segunda-feira (27), o porta-voz da chancelaria, Esmail Baqaei, negou publicamente qualquer reunião direta. “As observações iranianas serão transmitidas ao Paquistão”, afirmou.

Os principais entraves para um consenso incluem:

  • Bloqueio Naval: O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, mantém o cerco a portos iranianos, enquanto Teerã exige o fim das sanções para prosseguir.
  • Estreito de Ormuz: O controle da via marítima estratégica continua sendo um ponto de atrito militar.
  • Milícias Regionais: Washington exige que o Irã interrompa o apoio a grupos como Hezbollah, Houthis e Hamas.

Pressão Europeia

Na Europa, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu ontem o alívio das sanções econômicas contra Teerã como ferramenta para facilitar o cessar-fogo. A posição, contudo, enfrenta resistência na União Europeia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a medida como prematura.

Após as reuniões em Islamabad, Araghchi deve seguir para Muscat (Omã) e Moscou, reforçando a ofensiva diplomática iraniana.