Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que prestou depoimento e fez acareação no STF. (Foto: Divulgação)


Em acareação no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou que a instituição não conseguiu recuperar cerca de R$ 2 bilhões investidos no Banco Master em carteiras falsas de crédito consignado. Segundo ele, o processo de substituição desses ativos foi interrompido após a liquidação do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco Central.

O BRB informou, em nota, que aguarda a conclusão de auditoria para avaliar eventual prejuízo e adotar medidas.

A defesa de Costa disse que sua atuação foi técnica, documentada e regular. Já a defesa de Vorcaro afirmou que o BRB não teve perdas na operação. Vorcaro declarou ter sido surpreendido pela liquidação e criticou o Banco Central.

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A liquidação do Master foi mantida pelo BC para evitar risco sistêmico e permitir investigações da Polícia Federal, enquanto o banco devolvia recursos ao BRB.

A operação é alvo da investigação da PF na Operação Compliance Zero, que apura aportes de R$ 12,2 bilhões feitos pelo BRB no Master.

A delegada Janaína Palazzo conduziu a acareação na noite de terça (30), que durou meia hora após nove horas de depoimentos. O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, foi ouvido antes, mas não participou da acareação. O objetivo era confrontar versões de Costa e Vorcaro sobre a substituição das carteiras.

Costa disse que, quando a operação foi deflagrada, o BRB já havia substituído cerca de R$ 10 bilhões em carteiras falsas por ativos do Master, mas ainda faltava recuperar R$ 2 bilhões. Segundo ele, o banco ofereceu garantias de R$ 9 bilhões enquanto a substituição não era concluída. A liquidação dificultou a finalização do processo.

Investigadores avaliam que o prejuízo pode ser maior, já que cerca de R$ 5 bilhões em ativos oferecidos pelo Master não têm liquidez. Vorcaro afirmou que não houve perdas e que o Master ofereceu deságio de 30% nos ativos substituídos para facilitar a recuperação. Ele confirmou que o processo estava em andamento quando ocorreu a liquidação.

A defesa de Vorcaro disse que não houve divergências entre os depoimentos e que os ativos não substituídos somam R$ 1,6 bilhão, com garantia de R$ 9 bilhões. O advogado de Costa, Cléber Lopes, afirmou que não houve contradições, “apenas percepções distintas”.

O BRB reiterou que é uma instituição sólida e que todo o processo de substituição e adição de garantias foi reportado ao Banco Central. A nota acrescenta que, dos R$ 12,76 bilhões mencionados pela imprensa, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos, e que o restante não representa exposição direta ao Master. A auditoria é conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte da Kroll Associates Brasil.