O PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, pior resultado em cinco anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE. A indústria de transformação recuou 0,2% no período, o que preocupa o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone.
“O desempenho fraco da indústria é um sinal de alerta”, disse Cervone, que também é primeiro vice da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele destacou que, a cada R$ 1 produzido pelo setor, são gerados R$ 2,69 em diferentes cadeias de valor.
Apesar da expansão de 11,7% do agronegócio, o empresário afirmou que não é possível sustentar o crescimento do PIB sem avanço contínuo da manufatura. “O setor gera empregos, paga salários mais altos, agrega valor às exportações e tem o maior efeito multiplicador da economia”, afirmou.
Juros e impostos pesam sobre o setor
Cervone atribuiu o recuo da indústria às altas taxas de juros, ao desequilíbrio das contas públicas e ao aumento da carga tributária. “Se as fábricas produziram menos bens de consumo é porque as pessoas estão comprando menos”, disse.
Ele avaliou que programas como o Nova Indústria Brasil (NIB) e a Depreciação Acelerada, voltados para modernização e inovação, não tiveram o efeito esperado. “São boas políticas, mas seus resultados são atropelados por juros reais exagerados e impostos muito altos”, afirmou.
Leis ampliaram taxação
Segundo Cervone, medidas aprovadas no fim de 2025 agravaram a situação. A Lei Complementar nº 128/2025 aumentou a tributação no regime de lucro presumido para empresas com receita anual acima de R$ 5 milhões. “Quase metade do ônus recai sobre a indústria. É inaceitável diante do papel estratégico do setor”, disse.
Outro ponto foi a elevação da alíquota dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) para 17,5%, o que deve aumentar em cerca de R$ 1 bilhão a carga tributária da indústria, segundo a CNI. A Lei nº 15.270/2025 também passou a taxar lucros e dividendos, incluindo 10% sobre a base de cálculo do Simples Nacional. “É um golpe duro contra os pequenos empreendedores”, afirmou.
Redução do Custo Brasil
Para o presidente do Ciesp, o baixo crescimento do PIB e a queda da indústria reforçam a necessidade de reduzir o chamado Custo Brasil. Ele defende a revisão da política fiscal, a queda dos juros e mudanças nas medidas que ampliam a taxação.
“Em 2026, precisamos solucionar com urgência os gargalos que reprimem o crescimento sustentado do PIB e penalizam quem produz e trabalha”, concluiu Cervone.





