O advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, registrou uma movimentação em sua plataforma digital profissional que gerou questionamentos no setor jurídico. Marques, que possui registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) há pouco mais de um ano, mantinha um site oficial no qual declarava ter resolvido mais de 1.000 processos e possuir uma carteira de mais de 500 clientes no período.
Os dados foram publicados no endereço eletrônico de seu escritório individual, localizado em Brasília. A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo identificou que o endereço comercial informado pelo advogado coincide com o escritório de sua tia, Karine de Carvalho Marques, irmã do ministro Nunes Marques. De acordo com os registros da OAB, Keviconsta como o único advogado responsável pelas atividades de seu CNPJ profissional.
Após a circulação das informações na imprensa, o site foi retirado do ar. A assessoria de Kevin Marques enviou uma nota oficial afirmando que a página visualizada era uma “versão preliminar” e que sua publicação ocorreu por um erro técnico durante a fase de construção do domínio. Segundo o comunicado, os números referentes ao volume de clientes e processos não correspondiam à realidade da banca, tratando-se de dados fictícios inseridos apenas para testar o layout e a diagramação do site antes do lançamento oficial.
A nota da assessoria não detalhou o número real de processos em que o advogado atua, limitando-se a informar que uma nova versão da página será publicada após a conclusão das correções. O gabinete do ministro Kassio Nunes Marques não emitiu posicionamento sobre a atividade profissional de seu filho, e não há registros de procedimentos disciplinares abertos contra o advogado em decorrência da publicação do site.
Além do volume de processos declarado em seu site, o advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques (STF), teve seu nome citado em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) devido a repasses financeiros vinculados a uma empresa de consultoria.
Repasses de R$ 18 milhões
Relatórios do Coaf apontaram que a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu, entre agosto de 2024 e julho de 2025, um total de R$ 18 milhões provenientes de duas fontes principais:
- JBS: Repassou R$ 11,3 milhões à consultoria.
- Banco Master: Repassou R$ 6,6 milhões à mesma empresa.
O órgão de controle classificou as movimentações como “incompatíveis com a capacidade financeira” da Consult, que havia declarado um faturamento anterior de apenas R$ 25,5 mil.
Conexão com Kevin Marques
As investigações identificaram que a Consult realizou 11 transferências diretamente para o escritório individual de Kevin Marques, totalizando aproximadamente R$ 281,6 mil.
- O Vínculo: O escritório do advogado funciona no mesmo endereço da consultoria em Brasília.
- Outros Clientes: Kevin também passou a atuar como procurador da Refit (antiga Refinaria Manguinhos) em processos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), corte onde seu pai atuou como desembargador antes de chegar ao STF.
Posicionamento dos Envolvidos - Kevin Marques: Em nota, afirmou que os valores recebidos (R$ 281 mil) são lícitos e referem-se a serviços técnicos de assessoria jurídica e tributária prestados entre 2024 e 2025. A defesa alega que não houve atuação em processos dentro do Supremo Tribunal Federal e que as tentativas de ligar os pagamentos a decisões judiciais são “irresponsáveis”.
- JBS: Declarou que contrata consultorias especializadas para auxiliar em questões fiscais complexas.
Ministro Nunes Marques: O ministro afirmou não possuir relação de proximidade com os executivos citados e reiterou que a carreira profissional de seu filho é independente de suas funções públicas.





