Após tarifaço, frigoríficos de MS param produção de carne para os Estados Unidos | Foto: Agência Brasil


O Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sindicadems) informou nesta terça-feira (15) que frigoríficos exportadores do estado suspenderam a produção de carne destinada aos Estados Unidos.

Segundo o Sincadems, a decisão decorre do anúncio de um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelo ex-presidente Donald Trump em defesa da impunidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu em processo por tentativa de golpe de estado.

Para o sindicato, a medida afeta diretamente as exportações de carne bovina do estado para o mercado norte-americano.

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Paralisação

Alberto Sérgio Capucci, vice-presidente do Sincadems, explicou que a paralisação é uma medida logística.

O objetivo é evitar o acúmulo de carne que não seria vendida. Com a nova taxação, a exportação para os EUA se tornou financeiramente inviável.

Capucci detalhou que a produção foi interrompida apenas nos setores específicos para o mercado americano. Cargas enviadas agora chegariam aos EUA já com o imposto adicional, tornando a operação muito cara para os produtores.

Frigoríficos afetados

Ao menos quatro frigoríficos em Mato Grosso do Sul interromperam a produção para os EUA:

  • JBS
  • Naturafrig
  • Minerva Foods
  • Agroindustrial Iguatemi

A Naturafrig informou que cerca de 5% de sua produção é destinada aos Estados Unidos. Os demais frigoríficos não se manifestaram até o momento.

Estoques e novos mercados

Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou a preocupação com o acúmulo de carne estocada. Esse volume de carne deveria ir para o mercado americano, mas não chegará a tempo da tarifa entrar em vigor, em 1º de agosto.

Os frigoríficos estão ajustando suas escalas de produção para realocar o produto. Verruck mencionou Chile e Egito como possíveis novos mercados para a carne sul-mato-grossense.

A tarifa de Trump não afeta apenas a carne. Outros setores brasileiros também enfrentam desafios:

  • Mel: Exportadores do Piauí propõem divisão da taxa com clientes dos EUA.
  • Laranja: A tarifa eleva o imposto do suco de laranja brasileiro para 70%, ameaçando empregos.
  • Celulose: A taxação frustra o setor e ameaça exportações.

Estratégia de Paralisação e Histórico de Exportações

A suspensão das atividades é uma medida estratégica, segundo Capucci. O envio da carne leva cerca de 30 dias para chegar aos EUA. Com a nova tarifa em vigor a partir de 1º de agosto, as cargas já estariam sujeitas ao aumento.

Em 2025, a carne bovina desossada e congelada foi o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul para os EUA, somando mais de US$ 142 milhões. Em 2024, foi o segundo principal produto, com cerca de US$ 78 milhões.

Cenários

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil. Eles importam 12% do total exportado pelo país, atrás apenas da China (48%).

A tendência é que os frigoríficos brasileiros voltem-se ainda mais para o mercado asiático, de acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercados.

A tarifa americana também impacta os consumidores dos EUA. A inflação da carne bovina no país está batendo recorde devido à redução do rebanho, o que encareceu o preço do boi.

O Brasil não é o principal fornecedor de carne bovina dos EUA (Austrália ocupa esse posto). No entanto, o preço da carne brasileira era o mais barato do mercado externo.

Impacto Direto para o Brasil e Perspectivas

Iglesias afirma que a queda nas vendas para os EUA não deve significar mais carne no mercado nacional. Os frigoríficos tentarão redirecionar o produto para outros mercados internacionais. “Nossa sorte é que tem mais 100 países comprando carne do Brasil”, disse.

A Associação Brasileira da Indústria de Carnes (Abiec) abriu um escritório na China neste ano, o que tem ajudado a abrir novos negócios. Além disso, o Vietnã retomou as compras de carne bovina do Brasil neste mês. Essas ações podem compensar a perda do mercado americano.

Abiec

A Abiec confirmou uma redução significativa no fluxo de produção de carne para os EUA. A entidade está trabalhando para reescalonar e redirecionar as cargas e a produção.

A indústria brasileira decidiu pausar temporariamente a produção para os Estados Unidos. O redirecionamento imediato ocorre para países com os quais o Brasil já mantém exportações. China, Sudeste Asiático e Oriente Médio são os destinos mais evidentes no momento.

A Abiec aguarda o avanço das negociações governamentais. No setor privado, a atuação é com importadores e empresas brasileiras para influenciar o governo americano a rever a decisão.