Soja liderou o ranking das exportações do agronegócio brasileiro Reprodução/internet


Pela primeira vez, o governo chinês declarou oficialmente que a soja brasileira pode substituir os grãos dos Estados Unidos no abastecimento interno, sinalizando uma mudança estratégica nas importações do país. A afirmação foi feita por Zhao Chenxin, vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China. Segundo Uol, o governo chinês destacou que a oferta global é suficiente e que os grãos americanos, como soja, milho e sorgo, podem ser facilmente substituídos por alternativas internacionais e reservas locais.

Essa mudança de postura ocorre em um contexto de aumento recorde das importações de soja da América do Sul. Entre abril e junho, a China deve receber mais de 30 milhões de toneladas da oleaginosa oriunda do Brasil, Argentina e Uruguai, o maior volume já registrado para o período. Essa intensificação das compras reflete a estratégia chinesa de diversificar suas fontes desde o início da guerra comercial com os EUA em 2018.

Apesar do início lento da safra brasileira neste ano, que causou atrasos logísticos e a suspensão temporária de algumas operações na China, a expectativa é de normalização nos embarques. Com a chegada das novas cargas, analistas chineses preveem melhora nas condições de abastecimento e redução dos preços da ração animal, que sofreram alta nas últimas semanas devido à escassez.

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O impacto da queda nas importações já é sentido no mercado chinês de farelo de soja, com os preços em Dalian atingindo o maior nível desde dezembro de 2023. Os estoques do produto nos portos chineses também recuaram, chegando perto dos níveis mais baixos dos últimos cinco anos. Ainda assim, as autoridades chinesas demonstram confiança na capacidade de substituição e estabilidade do suprimento com foco crescente na América do Sul.