O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou na tarde desta terça-feira (28) uma nota oficial em resposta às declarações do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que atribuiu ao governo federal a falta de apoio no combate às organizações criminosas no estado.
Em tom enfático, a pasta afirmou que “tem atendido, prontamente, a todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro” e que mantém atuação “contínua e efetiva” no território fluminense desde 2023.
Segundo o ministério, a Força Nacional de Segurança Pública está presente no Rio desde outubro de 2023, com base na Portaria MJSP nº 766, de 12 de dezembro daquele ano. A operação, que segue vigente até dezembro de 2025, já foi renovada 11 vezes a pedido do governo estadual. “Todas acatadas”, frisou a nota.
A resposta do MJSP ocorre após o governador afirmar, em entrevistas recentes, que o governo federal “não tem feito sua parte” no enfrentamento ao crime organizado. A pasta, comandada por Ricardo Lewandowski, rebateu: “A missão é a cooperação total entre União e o RJ. Estamos empenhados em combater o crime de forma cooperativa e integrada”.
De acordo com os dados divulgados, apenas em 2025 a Polícia Federal realizou 178 operações no estado, das quais 24 relacionadas ao tráfico de drogas e armas. Foram 210 prisões, sendo 60 diretamente ligadas a investigações sobre tráfico. Também foram apreendidas 10 toneladas de drogas, 190 armas de fogo — incluindo 17 fuzis — e cerca de 600 peças e acessórios capazes de montar 30 fuzis.
“Entre 2024 e outubro de 2025, a PF cumpriu 855 mandados de prisão. A nota destaca operações como a Forja, que desmantelou uma fábrica clandestina com capacidade para produzir 3.500 fuzis por ano, e as ações Buzz Bomb e Libertatis, que prenderam operadores de drones das principais facções criminosas do estado”, diz a nota.
“A Polícia Rodoviária Federal também atua no Rio desde 2023. Nesse período, foram recuperados 3.082 veículos, apreendidas 13.961 munições, 244 armas de fogo (sendo 72 fuzis), além de 29,5 toneladas de maconha, 3,9 toneladas de cocaína e 73.990 unidades de drogas sintéticas. Ao todo, 8.250 pessoas foram detidas”, afirmou.
O MJSP também rebateu críticas sobre repasses financeiros. Segundo a nota, “o estado recebeu mais de R$ 143 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN) entre 2016 e 2024, mas utilizou apenas R$ 39 milhões. Já pelo Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), o Rio recebeu R$ 331 milhões desde 2019, dos quais R$ 157 milhões foram executados. “Há mais de R$ 174 milhões disponíveis”, afirmou o ministério”.
Além dos repasses, “o governo federal doou cerca de R$ 10 milhões em equipamentos, como veículos, drones, coletes e munições. Também foram firmados acordos para a criação da Célula Integrada de Localização e Captura de Foragidos e do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA), que já analisou R$ 65 bilhões em transações suspeitas”.
“A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pretende institucionalizar essa integração federativa”, disse Lewandowski, após reunião com Castro em fevereiro, quando o ministério ofereceu dez vagas em presídios federais para lideranças criminosas do Rio.
A nota termina com a reafirmação do compromisso do MJSP com o estado: “As ações coordenadas têm como objetivo fortalecer o combate ao crime organizado, reduzir índices de criminalidade e garantir maior sensação de segurança à população”.




