O secretário Samuel Kinoshita, que anunciou as demissões. (Foto: Reprodução)


O Governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (29) a demissão de cinco auditores fiscais acusados de envolvimento em fraudes bilionárias de ICMS investigadas pelas operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo.

As irregularidades, segundo o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda e Planejamento, envolviam manipulação de créditos tributários, recebimento de propinas e favorecimento a grandes empresas do varejo.

Com as novas demissões, já são sete servidores desligados apenas no mês de abril, enquanto outros 17 permanecem afastados de suas funções.

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A Operação Ícaro, deflagrada em 2025, revelou que auditores fiscais recebiam pagamentos de empresários para liberar créditos indevidos de ICMS.

Entre os investigados estava o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, acusado de pagar mais de R$ 327 milhões em propinas para obter vantagens tributárias.

Em março de 2026, a Operação Mágico de Oz, desdobramento da Ícaro, mirou auditores da Delegacia Regional Tributária de Osasco.

Foram apreendidos R$ 172 mil em espécie, além de computadores e celulares. A investigação apontou que os servidores utilizavam “laranjas” para ocultar valores ilícitos e favorecer empresas em processos fiscais.

Na mesma época, a Operação Fisco Paralelo revelou um esquema ainda mais amplo, que beneficiava grandes varejistas como Carrefour, Kalunga, Casas Bahia e Caoa.

O grupo, formado por auditores, contadores e empresários, manipulava créditos fiscais e reduzia sanções tributárias em troca de propina. Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Campinas e Vinhedo.

“O Estado não tolera irregularidades no serviço público. Estamos atuando com rigor para responsabilizar os envolvidos, fortalecer os mecanismos de controle e garantir a integridade da gestão”, afirmou o secretário da Fazenda e Planejamento, Samuel Kinoshita.

Atualmente, estão em andamento 61 procedimentos administrativos, incluindo 11 processos disciplinares e 37 apurações preliminares.

Cinco desses processos já se encontram em fase avançada de instrução e podem resultar em novas demissões. A Secretaria da Fazenda e o Ministério Público mantêm cooperação para ampliar o combate à corrupção e reforçar os mecanismos de controle interno.