O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou na madrugada desta quarta-feira que está preparado para iniciar uma nova fase de ataques militares. A declaração ocorre poucas horas após o presidente Donald Trump estender, por tempo indeterminado, um cessar-fogo na região.
Em comunicado oficial, a Guarda afirmou que a dominância dos Estados Unidos e de Israel no oeste da Ásia está “perto do fim”. A retórica marca um contraste direto com as tentativas de desescalada de Washington, embora a Casa Branca mantenha uma postura rígida de pressão econômica. O presidente Trump rebateu as ameaças afirmando que o Irã atravessa um “colapso financeiro” e reiterou a exigência pela abertura imediata do Estreito de Ormuz.
Escalada Marítima e Volatilidade nos Mercados
A ameaça de novos confrontos coincide com relatos de violência em rotas comerciais estratégicas. Segundo a agência marítima do Reino Unido (UKMTO), dois navios comerciais foram atacados nas últimas horas nas proximidades do Estreito de Ormuz.
Os mercados financeiros asiáticos reagiram com cautela. À exceção do Japão e da China, que registraram altas leves, os principais índices da região recuaram. No setor de commodities, o preço do barril de petróleo tipo Brent apresentou desaceleração, mas permanece em patamares elevados, operando próximo dos US$ 100.
Impasse Diplomático e Desgaste Político
O isolamento diplomático entre as nações se aprofunda. O chanceler iraniano acusou os Estados Unidos de descumprirem acordos prévios e classificou o bloqueio aos portos do país como um “ato de guerra”. Para Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM, a estratégia adotada por Trump inviabiliza avanços diplomáticos.
“A postura atual do presidente impede qualquer evolução real nas negociações”, avalia o especialista.
Pressão Interna em Washington
A estratégia da Casa Branca parece estar cada vez mais vinculada a desafios domésticos. Relatos da imprensa americana sugerem que o recuo tático de Trump está ligado à queda de sua popularidade e ao impacto direto do preço dos combustíveis no bolso dos eleitores.
- Baixa Popularidade: Uma pesquisa da Reuters divulgada nesta terça-feira (21) aponta que a aprovação do republicano caiu para 36%, o nível mais baixo de seu mandato.
- Custo de Vida: Mais de 90% dos americanos afirmam que os preços da gasolina dispararam desde o início do ano.
A crise também repercutiu em Portugal, onde o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, ironizou a postura de Trump em relação aos conflitos internacionais durante sua agenda oficial no país.




