O fundador do Projeto "Adequando Realidades", Thiago Daniel durante a entrevista no BC TV


Em entrevista ao jornal BC TV, Thiago Daniel, especialista em inclusão e acessibilidade e fundador do projeto Adequando Realidades, abordou o panorama da acessibilidade no Brasil e os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência (PCDs).

Daniel foi direto ao comentar sobre o avanço da inclusão no país: “A gente está caminhando a passos de tartaruga ainda. Infelizmente, a inclusão no Brasil funciona muito como nuvem passageira.” Segundo ele, há uma grande morosidade no processo e muitas ações acabam sendo realizadas apenas para atender formalidades, sem um compromisso real com a mudança.

Um dos entraves apontados pelo especialista é a visão do setor público sobre a população com deficiência. “Infelizmente, no Brasil, o PCD é visto como um gasto pelas políticas públicas, e essa falta de respeito impede que essas pessoas sejam inseridas como parte ativa da economia e da sociedade”, afirmou.

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A falta de normatização clara na legislação é outro fator que dificulta avanços significativos. “O problema não é que a lei não existe, mas sim que não há normatizações claras. Se todas as estruturas públicas e empresas privadas fossem obrigadas a seguir diretrizes bem definidas, não haveria como escapar da inclusão”, explicou.

Sobre o papel do setor privado, Daniel reconheceu que muitas empresas têm interesse em cumprir as cotas e promover a inclusão, mas enfrentam dificuldades. “Como não há clareza na lei, as empresas que poderiam tirar proveito da inclusão simplesmente não sabem como fazer isso. Falta capacitação e divulgação”, comentou. Ele ressaltou que seu projeto, Adequando Realidades, atua justamente para preencher essa lacuna, ajudando as empresas a identificar e integrar PCDs ao mercado de trabalho.

Outro dado preocupante citado por Daniel é o índice de alfabetização entre pessoas com deficiência. “Infelizmente, o PCD no Brasil tem uma taxa de analfabetismo quatro vezes maior do que a média da população, porque não existem políticas públicas adequadas”, destacou.

Ao compartilhar sua própria experiência, Daniel explicou que sua condição foi causada por uma anóxia de parto. “Basicamente, para explicar de maneira simplória, é como se a criança tivesse tido um AVC dentro da barriga”, contou.

Para o especialista, a inclusão real depende de mudanças estruturais e de um compromisso coletivo com o respeito e a dignidade das pessoas com deficiência. “Mais do que inclusão, o que precisamos é que essas pessoas sejam tratadas como indivíduos dignos de estar em todos os espaços da sociedade”, concluiu.

Além disso, Daniel enfatizou que a acessibilidade não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como um direito fundamental. “A inclusão não pode ser apenas um discurso bonito. Ela precisa ser uma prática diária, incorporada na cultura das empresas e das políticas públicas”, afirmou.

Ele também destacou a importância da educação na transformação desse cenário. “Se tivéssemos um sistema educacional que realmente preparasse as pessoas com deficiência para o mercado de trabalho, estaríamos muito mais avançados. Mas, infelizmente, ainda há uma grande lacuna nesse aspecto”, disse.

Por fim, Daniel reforçou que a sociedade precisa enxergar a inclusão como um benefício coletivo. “Quando garantimos acessibilidade e oportunidades para todos, estamos construindo um país mais justo e produtivo. A inclusão não é um favor, é um direito”, concluiu.

Para ver uma entrevista completa, veja aqui no portal ou no Youtube: