O presidente Trump em conversa com jornalistas. (Reprodução: TV)


O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado (2) que analisa uma nova proposta do Irã para encerrar o conflito entre os países, mas demonstrou ceticismo sobre a viabilidade do texto.

“Revisarei em breve o plano que o Irã nos enviou, mas não imagino que seja aceitável, dado que eles ainda não pagaram um preço alto o suficiente pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”, escreveu o republicano na rede social Truth Social.

Pouco antes, ao falar com jornalistas no aeroporto internacional de Palm Beach, Trump afirmou que anunciará em breve se aceita ou rejeita a oferta. Na sexta-feira, ele já havia dito não estar “satisfeito” com os termos gerais, mas que examinaria os detalhes.

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A proposta iraniana prevê a liberação da navegação no estreito de Ormuz e o fim do bloqueio imposto pelos EUA, mas adia discussões sobre o programa nuclear de Teerã.

Neste domingo (3), o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que o espaço para decisões de Washington “encolheu”. Em publicação no X, o grupo disse que Trump deve escolher entre “uma operação militar impossível ou um acordo ruim com a República Islâmica”.

Contudo, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Ali Nikzad, indicou que uma “interrupção total da agressão contra o Líbano” é pré-requisito para negociar a situação em Ormuz. Segundo Nikzad, o fechamento do estreito visava garantir a estabilidade do povo libanês.

CONFLITO NO LÍBANO

Apesar de um cessar-fogo em vigor, ataques israelenses no sul do Líbano mataram ao menos sete pessoas no sábado. No domingo, as forças de Israel emitiram alertas de retirada para 11 cidades da região, sob a justificativa de que o Hezbollah violou o acordo de trégua. Desde 2 de março, o Ministério da Saúde libanês contabiliza mais de 2.600 mortes no país.

Trump avalia como proceder no impasse com o Irã, que já dura semanas. Na quinta-feira, militares apresentaram ao presidente opções para Ormuz e para operações terrestres. “Queremos ir lá e destruí-los para sempre ou queremos tentar um acordo? Essas são as opções”, disse Trump, ressaltando que prefere não retomar os bombardeios.

BLOQUEIO NAVAL

O Irã mantém o bloqueio de quase toda a navegação no golfo Pérsico há mais de dois meses. Em resposta, os EUA aplicam seu próprio cerco desde 13 de abril. Trump classificou o bloqueio americano como “amigável”, afirmando que ninguém o tem desafiado.

A Marinha dos EUA mobiliza dois grupos de porta-aviões, mais de dez navios e cerca de cem aeronaves na região. No mês passado, um contratorpedeiro americano apreendeu um cargueiro de bandeira iraniana que tentou furar o cerco.

PRESSÃO NO CONGRESSO

O presidente enfrenta pressão crescente no Capitólio para obter autorização formal para o conflito. Pela Resolução de Poderes de Guerra de 1973, o Executivo deve pedir aval ao Congresso após 60 dias de operações militares — marca atingida nesta semana.

Na quinta-feira, o Senado rejeitou, pela sexta vez, uma resolução para encerrar as operações no Irã até que houvesse votação parlamentar. A medida foi derrotada por 50 votos a 47. Quase todos os democratas votaram a favor do limite ao presidente, acompanhados pelos republicanos Susan Collins e Rand Paul.

Trump argumenta que, como um cessar-fogo temporário entrou em vigor em 8 de abril, ele não necessita de nova autorização legislativa para manter a presença militar.