O Hezbollah disparou cerca de 30 foguetes contra o norte de Israel nesta quarta-feira (15), em resposta a dois bombardeios israelenses no sul de Beirute. Os ataques ocorreram menos de 24 horas após a rodada histórica de negociações em Washington entre Israel e Líbano, primeira etapa de um ciclo de discussões diretas para tentar estabelecer uma paz duradoura.
Israel prosseguiu com ofensivas aéreas contra localidades do sul do Líbano e emitiu novo alerta para que civis deixem suas casas. “Ataques contra o Hezbollah estão em andamento”, afirmou em árabe na rede X o porta-voz das Forças Armadas israelenses, coronel Avichay Adraee. Ele pediu que moradores se desloquem para o norte do rio Zahrani.
Segundo a Agência Nacional de Informação do Líbano (Ani), dois veículos foram atingidos em rodovias ao sul de Beirute, nas regiões de Jiyeh e Saadiyat. As áreas não são consideradas redutos do Hezbollah.
O grupo xiita pró-Irã reivindicou os disparos contra dez localidades israelenses próximas à fronteira. Desde 2 de março, quando o Hezbollah entrou no conflito regional em retaliação a ataques israelenses contra o Irã, os bombardeios já deixaram 2.124 mortos e mais de um milhão de deslocados no Líbano.
As negociações diretas em Washington, as primeiras em mais de três décadas, foram denunciadas pelo Hezbollah. O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, rejeitou a participação da França nas conversas e afirmou que o objetivo é “libertar o Líbano do Hezbollah”. Já a embaixadora libanesa, Nada Hamadeh Moawad, adotou tom cauteloso e pediu a aplicação do acordo de 2024, que previa o desarmamento do grupo, mas nunca foi implementado.
Os Estados Unidos reafirmaram o direito de Israel de se defender e rejeitaram pedido do Irã para estender ao sul do Líbano o cessar-fogo de duas semanas em vigor entre Teerã, Israel e Washington.




