O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nesta terça-feira (15) uma nota oficial na qual expressa sua indignação com as recentes declarações do governo de Donald Trump sobre o Brasil.

A nota destaca que o governo brasileiro “deplora e rechaça” as manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada dos EUA em Brasília, considerando-as uma “intromissão indevida e inaceitável” em assuntos internos do país.

As declarações de Trump foram feitas em uma carta destinada ao presidente Lula, mas postada somente em rede social, na qual o presidente dos EUA afirmou erroneamente que os Estados Unidos têm déficit na relação comercial com o Brasil.

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Além disso, Trump alegou haver uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Itamaraty rebateu essas declarações, afirmando que a soberania do Brasil não está em discussão e que o país não aceitará ser tutelado por ninguém.

Resposta do Brasil

O governo brasileiro está disposto a negociar com os EUA sobre as tarifas impostas por Trump, mas também está preparado para responder com base na lei brasileira da reciprocidade econômica, recentemente sancionada por Lula. Outra opção considerada é recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora diplomatas acreditem que a organização esteja paralisada e sem capacidade de agir efetivamente.

Economistas divergem sobre os efeitos imediatos do tarifaço sobre a economia brasileira. Alguns especialistas, como Abner Jackson Teodoro de Souza, acreditam que o impacto será negativo, pressionando a economia brasileira e gerando instabilidade nos mercados financeiros. Outros, como André Bura, contextualizam a medida dentro de um cenário global de guerra híbrida e reconfiguração de poderes geopolíticos, prevendo consequências práticas imediatas, especialmente sobre o câmbio, a inflação e a balança comercial.

O Itamaraty reafirmou que o Brasil está disposto a dar sequência ao diálogo com os EUA, em benefício das economias e populações de ambos os países. No entanto, o governo brasileiro enfatizou que a soberania do país não está em negociação e que as relações comerciais devem ser conduzidas de forma respeitosa e justa.

NOTA DO ITAMARATY NA ÍNTEGRA:

“Manifestações indevidas do governo norte-americano

O governo brasileiro deplora e rechaça, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília que caracterizam nova intromissão indevida e inaceitável em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro. Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países.

No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países. A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação”.