Jair com o filho Eduardo Bolsonaro. (Foto: Acervo)


O ex-presidente Jair Bolsonaro passa a ser investigado por sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo de promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
Um novo capítulo judicial envolvendo Bolsonaro está relacionado à participação em um caso que também envolve seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A investigação aponta que ambos atuaram em articulação com o governo Trump para pressionar autoridades brasileiras, inclusive membros do STF.

Diversas medidas cautelares foram determinadas no inquérito que apura a conduta de Eduardo Bolsonaro, acusado de colaborar com autoridades norte-americanas na tentativa de impor sanções ao Brasil e aos ministros do Supremo. Nesse contexto, Jair Bolsonaro é investigado por ter enviado recursos via Pix para financiar a estadia do filho nos Estados Unidos. Em março, Eduardo se licenciou do mandato parlamentar e mudou-se para os EUA, alegando perseguição política. Em agosto, a Polícia Federal indiciou pai e filho pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Sanções

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Nos últimos meses, o governo dos Estados Unidos anunciou uma série de sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras. Entre elas, destacam-se o aumento de 50% nas tarifas de importação de produtos brasileiros, uma investigação comercial sobre o sistema Pix e punições financeiras ao ministro Alexandre de Moraes, aplicadas por meio da Lei Magnitsky.

Donald Trump e membros de sua administração alegam que Bolsonaro é vítima de uma “caça às bruxas” e acusam Moraes de cercear a liberdade de expressão de empresas americanas responsáveis por redes sociais.

Articulação de Eduardo nos EUA

  • Em fevereiro de 2025, Eduardo viajou aos Estados Unidos para buscar apoio de organizações conservadoras e aliados de Trump.
  • Ele se reuniu com figuras como Jason Miller, conselheiro de Trump, e participou de eventos da extrema-direita americana.
  • Eduardo passou a pressionar o governo Trump para aplicar sanções contra o Brasil, alegando que o julgamento de Bolsonaro era uma “perseguição política”.

Retaliações e ameaças dos EUA

  • Em julho, Trump enviou uma carta ao presidente Lula vinculando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros à condenação de Bolsonaro.
  • O governo americano aplicou sanções econômicas e diplomáticas contra ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky.
  • Os ministros tiveram vistos revogados e bens bloqueados nos EUA.
  • A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, chegou a insinuar o uso de força militar para “defender a liberdade de expressão” no Brasil.
  • Eduardo Bolsonaro comemorou publicamente essa ameaça militar, dizendo: “O mundo agradece”.

Reações e consequências

  • O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, repudiou as ameaças e classificou as ações como uma grave afronta à soberania nacional.
  • Ministros do STF e líderes políticos brasileiros reagiram com indignação, reforçando que crimes contra o Estado democrático de direito não são passíveis de anistia.
  • A tensão escalou para um impasse diplomático, com o Brasil sendo alvo de tarifaços, sanções judiciais e pressões políticas externas.