Presidente Lula durante declaração conjunta à imprensa. Palácio Real de Pedralbes, Espanha. Foto: Ricardo Stuckert / PR


Em conferência em Barcelona, Espanha, o presidente Lula disse que a prisão de militares de alta patente e a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro não foram suficientes para neutralizar a ameaça autoritária no Brasil.

Durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, o presidente brasileiro afirmou que, embora as instituições tenham reagido com rigor à tentativa de golpe de Estado, o movimento extremista permanece latente e se prepara para o próximo embate nas urnas.

Ao detalhar o cenário doméstico, Lula destacou a severidade das punições aplicadas: “No meu Brasil, nós acabamos de derrotar o extremismo. Temos um ex-presidente preso, condenado a 27 anos de cadeia. Temos quatro generais quatro estrelas presos porque tentaram dar o golpe”. No entanto, o mandatário ponderou que o êxito jurídico não encerra a disputa política. “O extremismo não acabou, ele continua vivo e vai disputar eleições outra vez, mas esse é um problema nosso, do povo brasileiro. Esse a gente lida com as nossas forças e as nossas armas”, afirmou, em uma defesa da soberania institucional brasileira frente ao radicalismo.

Continua depois da publicidade

O discurso em Barcelona também serviu de plataforma para uma dura investida contra a erosão do multilateralismo, personificada, segundo ele, pelo estilo de governar de Donald Trump. O líder brasileiro criticou a instabilidade gerada pela política feita através de redes sociais. “Não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia a noite com um tuíte de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, fustigou Lula, em clara alusão ao republicano.

Para o presidente, o avanço da extrema direita global está intimamente ligado à paralisia dos fóruns internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente diante das tensões no Oriente Médio e no Irã. “Todos eles tomam decisão sem consultar a ONU, da qual eles são membros e fazem parte do conselho”, denunciou, reiterando a necessidade urgente de uma reforma na governança global para evitar que decisões unilaterais continuem a colocar a paz mundial sob xeque.