O CEO do Grupo LIDE, João Doria, durante a entrevista que concedeu com excluvisidade para Germano Oliveira e Camila Srougi, no Jornal BC TV.


João Doria foi o entrevistado do Jornal BC TV, do portal BRASIL CONFIDENCIAL, nesta quinta-feira (21), em uma conversa exclusiva conduzida pelos âncoras Camila Srougi e Germano Oliveira.

Durante a entrevista, Doria falou sobre a atual crise comercial com os Estados Unidos e fez críticas à postura do presidente dos EUA, Donald Trump, e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Retaliações dos EUA

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Um dos temas centrais da entrevista foi a recente imposição de tarifas de 50% por parte do governo de Donald Trump a produtos brasileiros, como carne, café e suco de laranja. Doria classificou a medida como uma decisão “estritamente política” e criticou a falta de articulação diplomática do governo brasileiro.

“O melhor caminho sempre será o entendimento, a diplomacia, o diálogo. O pior caminho é o enfrentamento ou qualquer manifestação que possa ser interpretada pelo governo americano como um desafio ou contraposição. Isso foge do campo diplomático e só tende a piorar a situação”, afirmou o CEO do Grupo LIDE e ex-governador de São Paulo.

João Doria afirmou, ainda, que recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), como fez o Itamaraty, é “correto do ponto de vista formal, mas inócuo na prática”. “O governo Trump não respeita organismos multilaterais. Simplesmente ignora”.

Críticas a Eduardo Bolsonaro

Ao comentar a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o parlamentar vem há meses pressionando autoridades americanas contra ministros do STF, Doria foi enfático:

“Ele tem todo o direito de defender o pai, mas jamais prejudicar o Brasil. Trabalhar contra o próprio país, contra os produtores brasileiros, por motivações políticas, é inaceitável. Não pode agir em prejuízo a milhares de agricultores que estão sendo prejudicados porque a sua produção — seja da lavoura, seja da proteína animal — está sendo sobretaxada por uma medida política do governo americano. Isso não é contributivo. Isso é destrutivo. É um mau exemplo do presidente Trump e um péssimo exemplo do Eduardo Bolsonaro”, declarou.

Sobre a inclusão do ministro do STF Alexandre de Moraes na chamada Lei Magnitsky — que impõe sanções a autoridades estrangeiras — Doria considerou a medida “ilegítima, absurda e contraproducente”, reforçando que o Judiciário brasileiro atua dentro dos parâmetros constitucionais.

“Não cabe ao presidente Trump, com todo o respeito que ele merece por ter sido eleito presidente dos Estados Unidos da América, não só emitir opiniões, mas também agir para penalizar um país que adota medidas amparadas na sua Constituição”, afirmou.

“Presidente não pode ter medo de ligar”

Questionado se o presidente Lula deveria ter telefonado para Trump no início da crise comercial, Doria opinou que sim. “Presidente que tem medo de telefonar não é presidente. É preciso ter coragem, atitude, e agir com diplomacia. Eu fiz isso como governador em situações adversas e resolvemos problemas importantes rapidamente”, disse.

“Qual é o medo que um presidente da República pode ter de pegar um telefone e ligar para outro chefe de Estado? Ou você é chefe de Estado, ou você comanda, ou você não comanda. Você não pode imaginar um presidente da República tendo medo de fazer um telefonema. Fui governador de São Paulo, fui prefeito de São Paulo. Não tive medo de ligar para ninguém, declarou.

Para Doria, o Brasil precisa adotar uma postura pragmática e técnica nas relações internacionais, evitando respostas de reciprocidade que possam gerar mais tensões. “Medidas retaliatórias só acirram o conflito e prejudicam ainda mais os setores produtivos”, afirmou.

📺 A entrevista completa está disponível no canal e no site do Brasil Confidencial: