A Justiça Federal decretou o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens de pessoas e empresas investigadas por irregularidades nos chamados “Fundos Infinity”. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema causou prejuízos milionários a milhares de investidores.
Medidas cautelares
As medidas foram tomadas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo, após pedido do MPF.
O bloqueio inclui valores, imóveis e veículos, até o limite de R$ 673,9 milhões – montante que corresponde ao total dos danos já apurados, atualizado pela taxa básica de juros.
“O objetivo é impedir a dissipação patrimonial dos investigados e garantir o ressarcimento aos cotistas, que até hoje não recuperaram o dinheiro investido”, informou o MPF.
Além disso, a Justiça afastou o sigilo bancário e fiscal dos envolvidos e impôs restrições pessoais ao sócio-administrador de empresas do Grupo Infinity.
Ele está proibido de deixar o país, deverá se apresentar periodicamente à Justiça e não poderá atuar na gestão de recursos financeiros de terceiros.
Fraudes sob investigação
Os “Fundos Infinity” eram oferecidos a investidores de perfil conservador, incluindo fundos de pensão e Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de municípios brasileiros. A promessa era de ativos de renda fixa de baixo risco.
Na prática, porém, parcela expressiva do patrimônio foi aplicada em operações sem garantia. Informações divulgadas eram falseadas para ocultar ou minimizar os riscos.
Segundo as investigações, os fundos funcionavam como fonte de financiamento contínuo das próprias empresas do grupo, em conflito de interesses com os cotistas.
“Em vez de defender os rendimentos dos investidores, os responsáveis priorizavam as necessidades econômicas das companhias”, aponta o MPF.
Esquema de rolagem
O esquema teria funcionado entre 2014 e 2023, com uso sucessivo da chamada rolagem dos papéis. No vencimento dos contratos, os recursos não retornavam aos fundos, mas eram registrados como ativos, simulando altas taxas de rentabilidade.
Essa estratégia atraía novos investidores e permitia captar recursos para sustentar operações anteriores. O colapso ocorreu em 2023, quando uma administradora independente impediu nova rolagem e exigiu a liquidação dos contratos vencidos, que não foram pagos.
“O risco dos cotistas era muito maior do que todos acreditavam ser. Na gestão dos referidos fundos, o investigado construiu verdadeira ‘pirâmide financeira’ que estourou em prejuízo quase bilionário aos milhares de cotistas e em benefício direto do investigado e seus familiares”, destacou o MPF no pedido das medidas cautelares.
Crimes apurados
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, apropriação indevida de valores, negociação de valores mobiliários sem lastro ou garantia suficientes e indução de investidores em erro.
O MPF aguarda a conclusão da apuração administrativa conduzida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para finalizar a investigação criminal.
Principais dirigentes do Fundo
David Jesus Gil Fernandez – Sócio-fundador da Infinity Asset Management, apontado como principal responsável pelo esquema. Foi indiciado em inquéritos da Polícia Federal e alvo de mais de 140 ações judiciais. Também já foi descredenciado da Anbima e condenado pela CVM.
André Tadeu Paes de Souza – Ligado à Infinity Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A., aparece em processos administrativos da CVM relacionados às operações dos fundos.
Celso Gil Fernandez – Também citado em processos da CVM, com participação na gestão dos fundos e vínculos com empresas do grupo Infinity. Henrique Leite Domingues





