Divulgado na manhã desta sexta-feira (27) o resultado da autópsia realizada em Bali que revelou que Juliana Marins, alpinista brasileira de 28 anos, morreu em decorrência de um trauma contundente que provocou múltiplas fraturas e hemorragia interna após cair durante a escalada do Monte Rinjani, na Indonésia.
A perícia indica que a jovem faleceu cerca de 20 minutos após sofrer os ferimentos, descartando a possibilidade de uma morte prolongada.
Exames revelam múltiplos traumas e rápida progressão dos ferimentos
Segundo o médico legista indonésio Ida Bagus Alit, responsável pelo exame, o corpo apresentava lesões externas e internas compatíveis com uma queda de grande impacto. “Foram encontradas fraturas no tórax, ombro, coluna e fêmur. Essas fraturas causaram danos severos aos órgãos internos e sangramento significativo. A principal causa da morte foi o trauma na caixa torácica e nas costas”, afirmou o especialista em coletiva à imprensa.
Alit acrescentou que não havia indícios de morte lenta. “Embora houvesse ferimentos na cabeça, não havia hérnia cerebral, o que normalmente leva horas ou dias para se desenvolver. Também não foram observadas retrações nos órgãos abdominais que indicariam hemorragia prolongada. Isso nos leva a crer que o óbito ocorreu logo após a queda”, explicou.
Transporte complexo e limitações estruturais
Juliana foi resgatada quatro dias após o acidente, ocorrido no sábado (21). Seu corpo foi removido do Hospital Bhayangkara, na ilha de Lombok, até o Hospital Bali Mandara, onde há estrutura forense. A viagem durou várias horas e foi feita em um compartimento refrigerado, o que dificultou a precisão no cálculo do tempo exato da morte. “Mesmo com os desafios logísticos, os sinais observáveis no corpo indicam que a morte aconteceu em um curto intervalo após os traumas”, destacou Alit.
Revolta com operação de resgate
Nas redes sociais, amigos, familiares e internautas brasileiros criticam duramente a atuação das autoridades indonésias. A operação de resgate demorou quatro dias para localizar e remover o corpo da montanhista. A família afirma que houve negligência por parte das equipes locais.
“Juliana sofreu negligência grave por parte da equipe de resgate. Se tivessem conseguido alcançá-la dentro das sete horas estimadas, ela estaria viva”, publicou a conta oficial da família no Instagram, @resgatejulianamarins. Em outro trecho, a publicação desabafa: “Ela merecia mais! Agora buscaremos justiça para ela, porque é isso que ela merece!”
Perguntas não respondidas
Muitos brasileiros questionaram a estrutura de resgate do país asiático. “Por que o helicóptero demorou tanto para ser acionado?”, “Por que o socorro não foi imediato, mesmo sabendo da localização?” foram algumas das perguntas feitas nas páginas da Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas) e do presidente do país, Prabowo Subianto.
Compromisso com a família
No Brasil, a tragédia mobilizou autoridades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, por meio das redes sociais, que determinou ao Itamaraty que acompanhe e auxilie os familiares. “Determinei ao Ministério das Relações Exteriores que preste todo o apoio à família, o que inclui o translado do corpo até o Brasil”, publicou na quinta-feira (26).
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), cidade natal de Juliana, também se posicionou. “Hoje mais cedo conversei com Mariana, irmã de Juliana Marins, e assumimos o compromisso da Prefeitura com o traslado de Juliana da Indonésia para a nossa cidade, onde será velada e sepultada.”
Comoção nacional
Juliana, experiente trilheira e defensora da preservação ambiental, era muito ativa em comunidades de ecoturismo. Sua morte causou profunda comoção, com homenagens em grupos de trekking e montanhismo. A hashtag #JustiçaPorJulianaMarins viralizou, reunindo relatos emocionados de quem a conheceu.
Linha do tempo da tragédia no Monte Rinjani
| Data | Evento |
|---|---|
| 21/06 (Sáb) | Juliana Marins sofre queda durante trilha no Monte Rinjani |
| 22/06 (Dom) | Primeiras equipes de resgate iniciam buscas |
| 24/06 (Ter) | Clima adverso e terreno instável dificultam operações |
| 25/06 (Qua) | Corpo de Juliana é localizado e removido |
| 26/06 (Qui) | Corpo chega ao Hospital Bali Mandara para necropsia |
| 27/06 (Sex) | Laudo oficial é divulgado à imprensa |
- Altura do Monte Rinjani: 3.726 metros — segundo mais alto da Indonésia
- Perfil da vítima: Juliana Marins, 28 anos, alpinista e ativista ambiental
- Ponto da queda: trecho íngreme próximo à cratera do vulcão
- Tempo estimado entre queda e morte: cerca de 20 minutos, segundo legista
- Tempo até resgate: 4 dias após o acidente
- Principais críticas: demora no uso de helicóptero, falta de resgate especializado





