Felipe Nunes, diretor do Instituto Quaest fez sua análise sobre a nova pesquisa. (Reprodução: TV)


Nas simulações da pesquisa Genial/Quaest que consideram a fragmentação das candidaturas da oposição, Lula aparece com 32% a 35% das intenções de voto. Os nomes mais competitivos para disputar o segundo turno seriam:

Bolsonaro (inelegível), com 24%;
Michelle, com 18%;
Tarcísio, com 17%.

Eduardo Bolsonaro seria o candidato menos competitivo do clã, com apenas 14%.

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Nos cenários em que a direita radical lança Eduardo para competir com outro nome da direita, Lula passa a ter chances de vencer já no primeiro turno. O atual presidente teria entre 40% e 43% das intenções de voto, percentual superior à soma dos dois principais adversários:

Tarcísio + Eduardo = 36%
Eduardo + Ratinho = 37%
Eduardo + Zema = 34%
Eduardo + Caiado = 33%


Nas simulações de segundo turno, o destaque é a competitividade de Ciro Gomes, que aparece como o adversário mais forte contra Lula, com uma diferença de apenas 7 pontos. Em seguida vêm:

Tarcísio (8 pontos de diferença);
Ratinho Jr (12 pontos);
Bolsonaro e Zema (13 pontos);
Michelle e Caiado (15 pontos);
Eduardo Bolsonaro (18 pontos);
Eduardo Leite (19 pontos).


O histórico das simulações mostra estabilidade na disputa entre Lula (43%) e Tarcísio (35%). A distância, que havia aumentado entre maio e agosto, manteve-se estável no último mês.


O mesmo ocorre na eventual disputa entre Lula (45%) e Zema (32%). A vantagem de Lula permaneceu no mesmo patamar, com variação negativa de apenas 1 ponto.


O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também viu sua distância para Lula se estabilizar. Lula aparece com 46% (oscilação de 1 ponto a menos que no mês anterior), enquanto Caiado mantém 31%.


Todos os membros da família Bolsonaro viram a vantagem de Lula se ampliar no último mês. Bolsonaro (inelegível) aparece com 34%, contra 47% de Lula.


No caso de Michelle, a vantagem de Lula aumentou um pouco mais: ele manteve os 47%, enquanto a ex-primeira-dama oscilou de 34% para 32%.

Eduardo Bolsonaro parece ter sofrido um desgaste maior. Lula manteve os 47%, enquanto Eduardo caiu de 32% para 29%.

Embora a vantagem de Lula sobre Ratinho Jr também tenha aumentado (de 10 para 12 pontos), ela continua menor do que nos cenários envolvendo o clã Bolsonaro.

Na batalha das rejeições, é evidente o crescimento da rejeição a Bolsonaro (de 57% para 64%), Michelle (de 51% para 61%) e Eduardo (de 57% para 68%). Ratinho Jr também viu sua rejeição aumentar. Já Lula (52%), Tarcísio (40%), Caiado (32%) e Zema (33%) mantiveram seus patamares.

Entre os eleitores que não se posicionam na polarização Lula-Bolsonaro, a rejeição é ainda mais acentuada:


Bolsonaro (80%)
Eduardo (75%)
Michelle (67%)
Ciro (54%)
Lula (50%)
Tarcísio (42%)

A pesquisa deste mês reforça algumas teses debatidas nos últimos meses. Primeiro, a maioria do eleitorado (59%) acredita que Lula não deveria disputar a reeleição em 2026.

Na lista de possíveis substitutos, caso Lula não concorra, aparecem: Alckmin (9%), Tebet (6%) e Haddad (5%).

Segundo, cresceu o percentual de brasileiros que defendem que Bolsonaro deveria abrir mão da candidatura e apoiar outro nome — de 65% para 76% no último mês.

O governador de São Paulo, Tarcísio, vem ganhando preferência como sucessor de Bolsonaro diante da inelegibilidade do ex-presidente. Hoje, 15% acreditam que ele deveria ser o escolhido. Ratinho Jr aparece em segundo lugar (9%), seguido por Michelle (5%).

Terceiro, o medo de uma eventual volta de Bolsonaro (49%) supera o receio de continuidade do governo Lula (41%). Na batalha dos medos, a rejeição a Bolsonaro continua predominando.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 12 e 14 de setembro. O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos.

LEIA MAIS: Quaest: Lula venceria hoje todos os pré-candidatos para presidente – Brasil Confidencial

Lula lidera, Eduardo derrete e Tarcísio enfrenta rejeição crescente

A mais nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira, 18, revela um cenário eleitoral que consolida o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o principal nome da política nacional para 2026.

Em todos os cenários simulados de primeiro e segundo turno, Lula lidera com folga, superando adversários da direita e da centro-direita, incluindo figuras da família Bolsonaro, governadores em ascensão e até mesmo o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que aparece como o nome mais competitivo entre os opositores.

Segundo o levantamento, Lula venceria Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL), além de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ratinho Jr. (PSD), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Eduardo Leite (PSD). Em comparação com a pesquisa de agosto, a vantagem do petista sobre Jair Bolsonaro subiu de 12 para 13 pontos percentuais (47% a 34%). Contra Michelle, o crescimento foi de 13 para 15 pontos (47% a 32%), e contra Eduardo, de 15 para 18 pontos (47% a 29%).

Felipe Nunes, diretor da Quaest, avalia que “Eduardo parece ter vivenciado um desgaste um pouco maior”, destacando a queda de desempenho do deputado federal licenciado, que hoje enfrenta rejeição de 68%.

A deterioração da imagem da família Bolsonaro é um dos elementos centrais do levantamento. Jair Bolsonaro, inelegível e condenado, viu sua rejeição saltar de 57% para 64%, enquanto Michelle e Eduardo também registraram aumentos significativos.

O chamado “Fator Lula” — expressão que pode ser entendida como a capacidade do presidente de se manter competitivo e liderar mesmo em cenários fragmentados — se manifesta com força.

Em simulações de primeiro turno com múltiplos candidatos da direita, Lula aparece com entre 40% e 43% das intenções de voto, superando a soma dos adversários em diversas composições. Isso sugere que, diante de uma oposição dividida, o petista poderia vencer já no primeiro turno.

Outro dado relevante é o desempenho de Ciro Gomes. Em um eventual segundo turno contra Lula, o pedetista aparece com 33% das intenções de voto, ante 40% do presidente — uma diferença de sete pontos, a menor entre todos os adversários testados. “Nas simulações de segundo turno, o que mais chama atenção é a competitividade de Ciro Gomes. Ele é o nome mais competitivo dentre todos os citados”, afirmou Nunes.

A pesquisa também aponta para rearranjos no campo da direita. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, aparece como o herdeiro natural do bolsonarismo, sendo o preferido por 23% dos eleitores bolsonaristas e 34% da direita não bolsonarista.

No entanto, sua rejeição também cresceu, atingindo 40%. A exposição recente do governador, incluindo declarações polêmicas sobre o Supremo Tribunal Federal, pode ter contribuído para esse desgaste.

A leitura dos dados permite identificar uma tendência de desidratação da direita tradicional e radical, ao mesmo tempo em que Lula consolida sua posição como figura central do debate político. A polarização persiste, mas com nuances: a fragmentação da oposição e o desgaste de seus principais nomes abrem espaço para uma eleição em que o fator Lula pode ser decisivo já no primeiro turno.