Lula participa da 14ª Conferência Nacional de Assistência Social - Reprodução


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira (8) a possibilidade de homens que cometem violência contra mulheres utilizarem tornozeleira eletrônica como alternativa à prisão. Durante discurso na Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília, o petista afirmou que a medida não garante a segurança das vítimas e citou o caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, que violou o equipamento no fim de novembro, para ilustrar sua preocupação. “Se até um presidente da República que tentou dar golpe nesse país tentou tirar a tornozeleira dele, imagina esses”, declarou.

Lula destacou que o país vive um cenário alarmante de feminicídios e que muitas mulheres não denunciam agressões por medo de retaliação. Para ele, dispositivos eletrônicos não impedem que o agressor retorne ao ambiente da vítima.

“Vai colocar tornozeleira, o cara não pode se aproximar de casa, mas quem está dentro de casa sozinha é a mulher. E o safado aparece mais nervoso”, afirmou, reforçando que a proteção deve ser eficaz e acompanhada de punições rigorosas.

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O presidente anunciou que pretende convocar representantes dos Três Poderes e diversos setores da sociedade — incluindo sindicatos, igrejas e tribunais — para um “mutirão educacional” voltado à mudança de comportamento masculino. Segundo Lula, homens devem assumir protagonismo na luta contra a violência de gênero. Ele defendeu ações educativas desde a infância e criticou a naturalização do assédio e da agressão. “Temos que despertar o direito de indignação”, disse.

Apesar de reconhecer que o fim do ano dificulta a agenda, Lula afirmou estar comprometido com o tema e garantiu que o governo trabalhará para facilitar denúncias e fortalecer os mecanismos de punição. “Nós homens temos que mudar de comportamento. Isso a gente aprende na escola, no berço”, afirmou, reiterando que fará da pauta uma prioridade de seu mandato.