Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva de imprensa, em que fez um balanço da viagem a Índia. Foto: Ricardo Stuckert / PR


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22) que pretende defender um “tratamento igualitário” entre as nações em um eventual encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para março. Segundo Lula, o Brasil não quer uma “guerra fria”, mas relações equilibradas, sem imposições de países mais poderosos sobre os menores.

“Quero dizer ao presidente Trump que não queremos uma guerra fria. Queremos ter relações iguais com todos os países e receber deles também um tratamento igualitário”, declarou o petista após agenda oficial na Índia.

A declaração ocorreu após reunião com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, com quem Lula assinou um acordo sobre minerais críticos e terras raras. Os dois líderes estabeleceram a meta de elevar o comércio bilateral para US$ 30 bilhões (cerca de R$ 170 bilhões) até 2030.

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Lula criticou a imposição unilateral de tarifas pelos EUA no ano passado. Segundo ele, o governo brasileiro soube das medidas “pelo Twitter”. O presidente também mencionou o que chamou de “autoritarismo” em negociações com grandes potências, ao afirmar que, em alguns casos, “um impõe sua vontade ao outro”. Em contraste, elogiou o diálogo com a Índia, que classificou como uma “política de iguais”.

A Suprema Corte dos EUA anulou a maior parte das tarifas globais impostas por Trump, mas o republicano anunciou posteriormente uma taxa de 10% sobre importações. Em outro gesto, o americano isentou exportações estratégicas do Brasil de uma tarifa de 40% que havia sido aplicada meses antes.

Lula e Trump se reuniram em outubro passado na Malásia, encontro que ajudou a reduzir as tensões entre os dois governos.

Minerais estratégicos

Ao comentar a pauta da próxima reunião, Lula afirmou que “não há nada proibido na mesa de negociação” e citou o tema dos minerais estratégicos. “O que não vamos permitir é que nossos minerais críticos e terras raras sejam explorados como no passado”, disse, ao lembrar que o país exportava matéria-prima para depois importar produtos manufaturados.

Segundo o presidente, o governo criou um conselho para tratar do tema com “mais seriedade e objetividade”. Lula também indicou que pretende discutir comércio, parcerias universitárias, a situação de brasileiros que vivem nos EUA e investimentos americanos no Brasil, que, segundo ele, “há muito tempo deixaram de existir”.

“O mundo precisa de tranquilidade, não de turbulência. Precisa de paz”, declarou.

O presidente voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), com a inclusão de países em desenvolvimento como Índia e México. Para ele, é necessário fortalecer o órgão diante de crises recentes na Venezuela, na Faixa de Gaza e na Ucrânia.