O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin se reúnem nesta segunda-feira (11) para finalizar o plano de contingência que deve mitigar os efeitos da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A expectativa é que as medidas sejam anunciadas ainda hoje, oferecendo um alívio urgente para os setores mais impactados.
A reunião, marcada para as 17h no Palácio do Planalto, contará com a presença de ministros-chave, como o da Fazenda, Fernando Haddad. O pacote de medidas busca dar fôlego a empresas e proteger empregos que estão ameaçados pela nova tarifa, que entrou em vigor em 6 de agosto.
Estratégias para conter o “tarifaço”
De acordo com fontes do governo, o plano de contingência deve incluir uma série de ações coordenadas:
- Linhas de crédito: Para ajudar as empresas a se reestruturarem e buscarem novos mercados.
- Adiamento de tributos: Uma medida para aliviar o fluxo de caixa das companhias afetadas.
- Compras públicas: O governo deve priorizar a aquisição de mercadorias perecíveis que seriam exportadas para os EUA.
- Busca por novos mercados: A equipe econômica, com o apoio de Lula e Alckmin, tem repetido que o objetivo não é retaliar, mas sim encontrar soluções e realocar a produção brasileira para outros países.
Alckmin tem sido um dos principais articuladores do plano. No fim de semana, ele ressaltou que a principal preocupação é com a indústria de máquinas e motores, por serem produtos mais específicos e difíceis de realocar em outros mercados, diferentemente de commodities.
A urgência da situação fez com que o vice-presidente cancelasse compromissos em São Paulo para retornar a Brasília para o encontro.
Impacto nas exportações
O “tarifaço” americano atinge cerca de 36% das exportações brasileiras para o país, o que representa um volume de aproximadamente US$ 14,5 bilhões em 2024. A tarifa de 50% impacta diretamente produtos como café, frutas e pescados, causando apreensão em diversos setores.
Apesar do cenário desafiador, cerca de 700 produtos estão na lista de exceções, com destaque para suco de laranja, aeronaves e seus componentes, que continuam com a taxação de 10% anunciada em abril. A exclusão de alguns itens, segundo analistas, pode ser uma estratégia de Trump para ter margem de negociação com o Brasil.
Enquanto o governo se prepara para anunciar suas medidas, a pressão sobre as empresas afetadas aumenta, e o setor aguarda ansiosamente os primeiros dados oficiais do governo sobre as exportações para os EUA.





