Trump e Maduro disputam narrativas e ameaças. (Reprodução)


Em meio à escalada de tensões militares no Caribe, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira, 22, que o país possui mais de 5.000 mísseis antiaéreos portáteis de fabricação russa, modelo Igla-S, posicionados em pontos estratégicos do território nacional. Segundo o líder chavista, o armamento é capaz de derrubar aeronaves em baixa altitude e já foi testado em exercícios militares recentes.

A declaração ocorre após os Estados Unidos intensificarem sua presença militar na região, com o envio de navios de guerra, forças especiais e um submarino nuclear ao Mar do Caribe. Washington justificou a movimentação como parte de uma operação contra o narcotráfico, após ataques a embarcações venezuelanas classificadas como “narcoterroristas”.

Maduro, por sua vez, classificou a ação como “assédio militar” e acusou os EUA de promover uma campanha de intimidação contra a Venezuela. “Temos um sistema de defesa antiaérea portátil com mais de 5.000 mísseis Igla-S, prontos para proteger nossa soberania.

Continua depois da publicidade

São mísseis que derrubam aviões em baixa altitude. Já os testamos e estão operacionais”, disse o presidente em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.

O Igla-S é um sistema de defesa portátil de origem soviética, amplamente utilizado por forças militares em diversos países. Com alcance de até 6 km e guiamento infravermelho, o míssil é projetado para atingir alvos aéreos com alta precisão, especialmente helicópteros e aviões em manobras de baixa altitude.

A retórica de Maduro recrudesce preocupações sobre a estabilidade regional, especialmente diante do histórico de confrontos diplomáticos entre Caracas e Washington. Desde 2019, os EUA não reconhecem Maduro como presidente legítimo e impuseram sanções econômicas severas ao país sul-americano.

Fontes diplomáticas ouvidas por agências internacionais afirmam que o governo norte-americano monitora de perto os desdobramentos, mas não há, até o momento, sinalização de uma resposta militar direta. Analistas apontam que a exibição do arsenal russo tem como objetivo reforçar a narrativa de resistência do chavismo e dissuadir qualquer tentativa de intervenção externa.

A Rússia, principal fornecedora de armamentos à Venezuela, não se pronunciou oficialmente sobre a declaração de Maduro. No entanto, especialistas em defesa alertam para o risco de que a militarização do discurso possa agravar ainda mais o isolamento do país e comprometer esforços diplomáticos em curso.