O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, sobre os ataques dos EUA. (Reprodução)


A operação militar dos Estados Unidos que levou à captura e sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, anunciada por Donald Trump na madrugada deste sábado (3), nau tirou o chavismo e os militares chavistas do poder, mesmo mesmo assim é considerada por analistas como o episódio mais relevante das últimas duas décadas na política do país.

Eduardo Rios, doutor em ciência política e diretor da consultoria Gnosis Advisory, afirma que o contexto da ação foi marcado por “anos de desgaste do chavismo e crescente pressão internacional”.

“É o momento político mais relevante dos últimos 12, senão 20 anos. O chavismo vem perdendo força eleitoral há mais de uma década, enquanto a oposição cresce. Essa dinâmica culminou na vitória oposicionista em eleições que o governo não reconheceu”, disse.

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Segundo Rios, a pressão internacional começou de forma diplomática, mas ganhou caráter militar após a vitória de Trump nas eleições presidenciais norte-americanas. “Desde setembro, a escalada foi clara”, afirmou.

Do ponto de vista militar, o especialista destaca dois pontos: a facilidade da operação e a ausência de resistência. “Ele havia adquirido mísseis russos, mas nada funcionou. A preparação das forças venezuelanas era mínima para um cenário que parecia previsível”, avaliou.

Sobre a possibilidade de Maduro ter se entregado, Rios lembra declarações ambíguas do chavismo. “Há quem diga que ele deu a vida pela paz, mas o discurso oficial insiste em exigir prova de vida, sinal de que não há consenso sobre quem será o sucessor.”

Trump prometeu detalhar o destino de Maduro em coletiva ainda neste sábado. A expectativa é que ele seja levado a julgamento nos EUA por crimes como narcotráfico, lavagem de dinheiro e violações de direitos humanos. “Será um caso à la Al Capone: não por um único crime, mas por um conjunto de acusações que permitem enquadrá-lo na legislação norte-americana”, disse Rios.

O futuro político da Venezuela, segundo o especialista, é incerto. A oposição, liderada por María Corina Machado e Edmundo González, vencedor das eleições contestadas de 2024, afirma estar pronta para assumir, mas não há articulação concreta. “Eles não foram os instigadores da operação, embora tenham pedido intervenção. Do lado chavista, reina o impasse: ninguém quer se apresentar como sucessor, sob risco de retaliação dos EUA ou de provocar uma guerra interna”, analisou.

Para Rios, três hipóteses estão sobre a mesa: uma figura consensual do chavismo assume; o regime negocia uma transição; ou o chavismo implode, abrindo espaço para a oposição em meio a um vácuo de poder. “É um momento delicadíssimo, sem caminho claro para ninguém. Não é a transição típica das ditaduras latino-americanas dos anos 1970 e 80. Foi imposta de fora, por força militar, e isso torna tudo imprevisível”, concluiu.

VEJA O PRONUNCIAMENTO DO MINISTRO DA DEFESA DA VENEZUELA