Mãe iraniana chora sobre o caixão do filho, estudante, morto no ataque de Israel e EUA no primeiro dia de guerra, sábado. (Reprodução: TV)


Funcionários do governo Donald Trump admitiram, em reuniões privadas com parlamentares realizadas ao longo desta semana, que os Estados Unidos estavam mirando a área no Irã onde uma escola primária foi atingida, resultando na morte de 175 crianças. A informação foi revelada por dois integrantes da administração a jornalistas da rede de TV NBC News, sob condição de anonimato.

Segundo os relatos, a ofensiva fazia parte da campanha militar americana contra alvos iranianos, em meio ao aumento das tensões na região.

A escola, localizada na cidade de Minab, na província de Hormozgan, foi atingida durante os ataques, provocando comoção internacional. Autoridades iranianas afirmaram que ao menos 175 crianças morreram e dezenas ficaram feridas.

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Um dos funcionários americanos disse à NBC News que “a área estava dentro da lista de alvos militares, mas não havia intenção de atingir civis”. Outro acrescentou que “o Pentágono está conduzindo uma investigação para determinar as circunstâncias do ataque”.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, declarou em entrevista coletiva que “nenhum alvo civil é intencionalmente escolhido” e que “o episódio será analisado com rigor”. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que “os Estados Unidos não vão recuar diante da agressão iraniana, mas lamentam qualquer perda de vidas inocentes”.

Do lado israelense, um porta-voz militar disse que “não há conexão direta entre as operações de Israel e o ataque à escola”, tentando afastar a responsabilidade de Tel Aviv. O governo iraniano, por sua vez, classificou o episódio como “o maior massacre de civis desde o início da guerra” e acusou Washington e Israel de crimes de guerra.

Imagens de funerais em Minab, transmitidas por emissoras locais e reproduzidas em veículos internacionais, ampliaram a pressão sobre os Estados Unidos. Organizações humanitárias denunciaram violações do direito internacional e pediram uma investigação independente. “Estamos diante de uma tragédia que não pode ser ignorada”, afirmou um representante da Human Rights Watch.

No Congresso americano, parlamentares de ambos os partidos Democrata e Republicano demonstraram preocupação. Um senador democrata disse que “a falta de transparência sobre os alvos militares coloca em risco a credibilidade dos Estados Unidos”. Já um republicano próximo ao governo defendeu que “o Irã precisa ser contido, mesmo diante de incidentes trágicos”.

O presidente Donald Trump endureceu o discurso após o episódio. Em declaração à imprensa, afirmou que “não haverá acordo com o Irã sem rendição incondicional” e que “qualquer tentativa de usar civis como escudo será responsabilizada pelo próprio regime iraniano”.

O ataque à escola primária em Minab expôs a dimensão humanitária da ofensiva americana e israelense, ampliando o temor de uma guerra prolongada. A confirmação de que autoridades discutiram o alvo em reuniões privadas levanta dúvidas sobre a condução da estratégia militar e sobre os limites éticos da intervenção.