Mauro Cid em depoimento no STF. (Reprodução: TV JUSTIÇA)


O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, solicitou sua transferência para a reserva do Exército, alegando não possuir mais condições psicológicas para permanecer na ativa. A informação foi confirmada por sua defesa nesta terça-feira (2), durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o advogado Jair Alves Pereira, o pedido foi protocolado há cerca de um mês e ainda aguarda análise do Alto Comando da Força. A defesa argumenta que o processo de colaboração premiada, firmado com a Polícia Federal, provocou um desgaste emocional profundo em Cid, que passou a enfrentar episódios de isolamento e rejeição dentro da corporação. “Ele foi tratado como traidor por colegas e superiores, o que gerou um quadro de sofrimento psicológico incompatível com a continuidade da carreira militar”, afirmou o defensor.

Cid tornou-se peça central nas investigações sobre uma suposta trama golpista envolvendo militares e integrantes do governo anterior. Em sua delação, revelou detalhes sobre reuniões, articulações e documentos que teriam sido elaborados com o objetivo de reverter o resultado das eleições de 2022. Entre os citados estão o ex-presidente Bolsonaro e o general da reserva Braga Netto.

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A defesa sustenta que, além do impacto pessoal, a colaboração de Cid foi decisiva para o avanço das investigações e deveria ser considerada como atenuante em eventuais punições. “Ele contribuiu de forma relevante para elucidar os fatos e espera que isso seja reconhecido institucionalmente”, disse Pereira.

O Exército ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido de passagem para a reserva. Caso seja aceito, Cid deixará de exercer funções operacionais, mantendo apenas os direitos previstos para militares inativos. A solicitação ocorre em meio ao aprofundamento das apurações sobre a tentativa de ruptura institucional, que já levou à prisão de outros militares e ex-assessores do governo anterior.

A delação de Mauro Cid é considerada uma das mais explosivas da atual crise político-militar, e seu afastamento da ativa pode representar um novo capítulo na reconfiguração das relações entre as Forças Armadas e o sistema de Justiça.