Em frente ao MASP, em São Paulo, manifestantes concentram o ato. (Reprodução: TV)


Em um domingo marcado por ampla mobilização popular, milhares de brasileiros saíram às ruas em diversas capitais e cidades do país para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o projeto que visa anistiar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

As maiores concentrações ocorrem no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Convocados por movimentos de esquerda por meio das redes sociais, os atos ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Belém, Maceió, entre outras localidades, e se estenderam até o exterior.

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COPACABANA, RIO:

CHICO BUARQUE CHEGA PARA O ATO NO RIO:

AVENIDA PAULISTA, SP:

SALVADOR, BAHIA:

SOROCABA, SP:

SAÍDA DE ESTAÇÃO DO METRÔ EM SP:

BRASÍLIA:

MANIFESTAÇÃO EM LONDRES:

ESTAÇÃO DE METRÔ NO RIO:

CURITIBA:

AVENIDA PAULISTA:

SALVADOR:

PORTO ALEGRE:

BELO HORIZONTE:

NATAL:

Foco dos protestos: rejeição à PEC da Blindagem

A principal reivindicação dos manifestantes foi o arquivamento da PEC da Impunidade ou da Bandidagem no Senado Federal. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana anterior, busca restringir a abertura de processos penais contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal (STF).

Críticos alertam que a medida representa um retrocesso institucional, ao dificultar a responsabilização de deputados e senadores por eventuais crimes.

No Senado, a proposta já enfrenta resistência. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou à GloboNews que pretende pautar o texto com o objetivo de “sepultar de vez esse assunto”.

Ele classificou a PEC como um “murro na barriga e tapa na cara do eleitor” e indicou articulação para sua rejeição tanto na comissão quanto no plenário.

“Sem anistia”: repúdio ao projeto que beneficia condenados

Além da PEC, os manifestantes também se posicionaram contra o projeto que propõe anistiar os envolvidos nos atos golpistas de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão. O grito “sem anistia” ecoou em diversas cidades, acompanhado por cartazes exigindo a cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de buscar sanções internacionais contra o Brasil em troca de anistia para aliados.

Presença de figuras públicas e parlamentares reforça mobilização

A mobilização contou com a adesão de artistas, parlamentares e movimentos sociais. Em São Luís, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) destacou a importância da pressão popular: “Se o Brasil inteiro não tivesse se mobilizado, talvez a PEC prosperasse.” Ela reiterou que “aqueles que cometem crime têm que estar sujeitos aos rigores da lei brasileira.”

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da proposta no Senado, já se manifestou contrário ao texto. “O relatório será pela rejeição, demonstrando tecnicamente os enormes prejuízos que essa proposta pode causar aos brasileiros”, afirmou.

Em Brasília, o ato em frente ao Museu da República reuniu manifestantes e o deputado distrital Fábio Félix (PSOL-DF), que classificou a proposta como “PEC da Bandidagem” e “vergonha nacional”.

Cultura e protesto se encontram nas ruas

Em Salvador, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), o ator Wagner Moura e a cantora Daniela Mercury participaram do ato.

Mercury, empunhando uma bandeira do Brasil, declarou: “Não aceitamos essa PEC da Impunidade”, enquanto o público entoava “sem anistia”.

Em Belo Horizonte, a cantora Fernanda Takai se juntou aos manifestantes na Praça Raul Soares. Em Manaus, cartazes como “Não à PEC da Blindagem” e “Canalhas”, ilustrados com os prédios do Congresso, expressaram a indignação popular. Em Belém, bandeiras da CUT marcaram presença, enquanto em Natal, os cartazes exigiam “mais respeito ao povo”. Em Maceió, uma faixa na orla da cidade chamava o Congresso de “inimigo do povo”, com apoio do Andes, sindicato nacional dos docentes.

Pressão crescente sobre o Congresso Nacional

A diversidade dos atos e a união de diferentes setores da sociedade evidenciam a crescente pressão sobre o Congresso Nacional. Os manifestantes exigem que propostas consideradas como ameaças à democracia e à responsabilização penal não avancem. A mobilização deste domingo reforça o papel da sociedade civil na defesa das instituições e da justiça.