O deputado Hugo Motta, presidente da Câmara, que adiou votação de PL do Terrorismo. (Foto: Ag. Câmara)


A votação do projeto que classifica o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas foi adiada novamente na Câmara dos Deputados. A decisão partiu do presidente da Casa, Hugo Motta, após pedido do governo, que teme consequências diplomáticas e jurídicas caso a proposta avance.

O governo é contra a equiparação de facções ao terrorismo. Alega que isso pode abrir brechas para sanções internacionais e até intervenções militares, como já ocorreu em outros países da América Latina. Além disso, teme que a medida afete a imagem do Brasil no cenário global.

A oposição, por outro lado, pressiona pela votação imediata. O relator na CCJ é Nikolas Ferreira (PL-MG), e o secretário de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), já sinalizou que pode reassumir o mandato de deputado para relatar o texto no plenário.

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Para evitar a polarização, aliados de Hugo Motta defendem que a relatoria fique com um nome de centro.

O governo, por sua vez, tenta priorizar seu próprio projeto antifacções, que endurece penas e amplia ferramentas de investigação, mas sem usar o termo “terrorismo”.

O impasse mostra como a segurança pública virou campo de disputa política. Enquanto a oposição quer uma resposta dura e simbólica, o governo busca uma solução que não comprometa a soberania e as relações internacionais do país.