O ambientalista e pecuarista, Caio Penido observa os animais de sua fazenda em Mato Grosso. Foto: Divulgação


O presidente do Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), o ambientalista Caio Penido, participou nesta quarta-feira (17) do Jornal BC TV, do portal BRASIL CONFIDENCIAL. Entrevistado pelos jornalistas Camila Srougi e Germano Oliveira, Penido falou sobre o futuro da pecuária no Brasil. Ele destacou o trabalho pioneiro do projeto “Passaporte Verde”, iniciativa que visa certificar frigoríficos e produtores rurais da região norte de Mato Grosso como aliados do meio ambiente.

O que é o Passaporte Verde?

O “Passaporte Verde” é um projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que visa criar um sistema de certificação para a carne produzida no estado, assegurando que esteja em conformidade com as normas ambientais, trabalhistas e sanitárias.

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“A ideia é garantir que, ao adquirir carne de Mato Grosso, o consumidor possa ter a certeza de que ela foi produzida de maneira legal e sustentável, respeitando a legislação ambiental vigente”, afirmou Caio Penido.

Segundo Penido, o “Passaporte Verde” vai além da rastreabilidade e surge como uma solução para dar maior competitividade à carne mato-grossense no mercado internacional, sobretudo em países que exigem certificações ambientais rigorosas.

De acordo com Penido, a certificação funciona quase como um “passaporte” que assegura que a carne pode ser exportada para qualquer país que respeite as normas ambientais e trabalhistas.

Pecuária Regenerativa e Sustentabilidade

Caio Penido destacou que sua empresa, a Agro Penido, tem apostado em práticas de regeneração ambiental dentro da pecuária, conciliando a produção de carne com a recuperação de áreas degradadas.

Ao contrário do modelo convencional, que foca na exploração intensiva do solo, Penido acredita que a pecuária pode ser parte de um sistema de regeneração da natureza.

“Quando falamos de pecuária regenerativa, estamos falando de práticas que não apenas evitam a degradação do solo, mas que ajudam a restaurar áreas já degradadas. É um trabalho de regeneração dos ecossistemas, no qual buscamos criar um ciclo que beneficie tanto o produtor quanto o meio ambiente”, afirmou.

Com a implementação de técnicas como o plantio de espécies nativas e a criação de sistemas agroflorestais, a Agro Penido, explicou, tem conseguido gerar créditos de carbono, que podem ser vendidos no mercado global.

“A regeneração de áreas antes degradadas não só contribui para a mitigação das mudanças climáticas, mas também melhora a qualidade do solo e da água, além de proporcionar uma nova fonte de receita para os produtores”, declarou.

A Recuperação da Amazônia

Sobre a possibilidade de recuperar áreas devastadas na Amazônia — especialmente aquelas que, segundo alguns cientistas, estariam irremediavelmente comprometidas — Caio Penido disse:

“Eu acredito que, com as práticas corretas, é possível regenerar muitas áreas que hoje estão degradadas. É claro que existem regiões que já chegaram a um ponto mais crítico, mas a floresta amazônica ainda tem grande potencial de recuperação, especialmente se tivermos políticas públicas eficazes que incentivem a regeneração e o uso sustentável da terra”, avaliou Penido.

O criador e ambientalista também falou sobre a necessidade de oferecer uma resposta econômica às populações locais, incentivando atividades que sejam ao mesmo tempo produtivas e sustentáveis.

“Um bom exemplo disso são as agroflorestas, que podem combinar a produção de alimentos como café, açaí e outros produtos com o objetivo de regenerar a floresta. O mercado global tem procurado por produtos como o açaí, o que gera emprego e valoriza a terra sem a necessidade de desmatamento”, disse.

Desmatamento Ilegal

Penido também abordou, na entrevista, o problema do desmatamento ilegal, que ainda representa um dos maiores desafios para a preservação da Amazônia.

Ele destacou que, embora o Brasil possua uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, o desmatamento ilegal — motivado muitas vezes por interesses imobiliários — ainda é um obstáculo a ser superado.

“A solução para o desmatamento ilegal não é simplesmente proibir a atividade. Precisamos criar alternativas econômicas viáveis para o produtor rural, como o pagamento por serviços ambientais, créditos de carbono e biodiversidade, que possam gerar valor sem a necessidade de devastar a terra”, afirmou Penido.

O Brasil e Seu Potencial Ambiental

Caio Penido concluiu com uma mensagem de otimismo sobre o futuro do Brasil como uma potência ambiental.

“O Brasil tem uma biodiversidade única e um enorme potencial para práticas de baixo carbono. Se conseguirmos integrar a produção agrícola e pecuária com a conservação e regeneração da natureza, seremos um modelo para o mundo todo”, concluiu.

📺 A entrevista completa está disponível no portal do BRASIL CONFIDENCIAL:

Quem é Caio Penido

O presidente do Instituto Mato-Grossense de Carne e ambientalista, Caio Penido, durante a entrevista ao BC TV

O empresário paulistano Caio Penido desenvolveu sua paixão pelo campo na infância, alternando a vida na cidade com as férias na fazenda da família. Hoje, ele é uma das principais vozes na defesa de uma agropecuária brasileira que alia produção abundante e preservação ambiental.

Herdando a lendária Fazenda Roncador e a visão empreendedora do avô Pelerson Penido, Caio implantou novos métodos de criação de gado no Mato Grosso. O sucesso o motivou a incentivar outros fazendeiros a adotarem práticas sustentáveis. Sua missão é mostrar que o Brasil tem potencial para ser referência mundial em carne sustentável e de qualidade.

Ao longo de 15 anos, Penido trabalhou com a ideia mudar a visão de que o agronegócio brasileiro destrói o meio ambiente. Ele mobilizou produtores, sindicatos e ONGs, e foi um dos fundadores da Liga do Araguaia, movimento focado em regularização ambiental e valorização da produção sustentável. Um de seus projetos, o Carbono Araguaia, compensou parte das emissões da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, “provando que a pecuária pode ser uma aliada do clima”.

Penido, que preside o Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), já participou como convidado em debates globais como as COP´s da ONU, onde defendeu que o Brasil pode contribuir para a segurança alimentar e climática mundial. Penido acredita que a COP30 no Brasil será a oportunidade perfeita para mostrar ao mundo o modelo de produção sustentável do país.

O que é o “Passaporte Verde”

Fazenda Água Viva, localizada no Vale do Araguaia em Mato Grosso: Empreendimento agrícola que concilia a produção de alimentos com a conservação ambiental.

O Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) lançou o Passaporte Verde, iniciativa pioneira no Brasil para monitoramento socioambiental da cadeia da carne bovina.

O programa visa fortalecer o comércio, promover a inclusão social e acelerar a regularização ambiental dos produtores.

Foi firmado um termo de cooperação com o MPF (Ministério Público Federal), TJMT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso), Sedec-MT (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso), Sema-MT (Secretaria do Meio Ambiente) e o próprio Imac.

O objetivo é garantir que a carne de Mato Grosso atenda aos padrões internacionais de sustentabilidade e transparência.

Um dos pilares do programa é o PREM (Programa de Reinserção e Monitoramento).

O PREM ajuda pecuaristas com propriedades bloqueadas a se regularizarem e voltarem a vender para frigoríficos.

Após ajustes, o produtor recebe um DCS (Demonstrativo de Conformidade Socioambiental).

O Imac também revisa o CAR (Cadastro Ambiental Rural) para agilizar o processo junto à Sema.

A proposta busca reinserir produtores na cadeia formal, com foco em visibilidade e confiança no mercado.

Há atenção especial aos pequenos pecuaristas, que enfrentam mais dificuldades na regularização.

A estratégia é faseada, evitando a exclusão desses produtores do mercado formal.

Segundo Penido, “Mato Grosso assume protagonismo com o maior rebanho bovino do país, promovendo pecuária sustentável.”

Ele disse que “o programa apoia o Código Florestal e oferece segurança jurídica e ganhos econômicos.”

A meta é consolidar uma pecuária de baixo carbono. Para tanto, estão em discussão incentivos fiscais, premiações e conexão com o mercado de carbono para ampliar a adesão.

Rio e matas protegidos garantem a preservação do meio ambiente e lucro para proprietários.

MT tem o maior rebanho de gado do país

O estado de Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do Brasil, com impressionantes 32,1 milhões de cabeças de gado, segundo levantamento realizado pelo Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea) em 2025.

Resumo dos dados:

📍 Total de bovinos: 32.186.137 cabeças
🥇 Liderança nacional: Mato Grosso está à frente de estados como Pará (25 milhões) e Goiás (23 milhões)
🏘️ Municípios com maiores rebanhos: Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Juara concentram boa parte do gado