Ricardo Guedes


Ricardo Guedes*

Joguei muito vôlei de praia no Rio de Janeiro, na Monte Negro, hoje Vinícius de Morais, nas décadas de 60 e 70. Lá vi o vôlei brasileiro, em seu apogeu atual, nascer, com Bebeto e Bernard no masculino, dentre tantos, Isabel no vôlei feminino. Estive no Maracanãzinho em 1970, assistindo a primeira vez que o Brasil ganhou da Rússia, com o “Jornada nas Estrelas” de Bernard. Fiz dupla com o Wantuil, que veio a ser o técnico da Sandra e da Jaqueline na primeira medalha de ouro do vôlei feminino de praia nas Olimpiadas de Atlanta. E sigo o vôlei, masculino e feminino, em todos os tipos de campeonatos.

O Brasil está no topo do ranking mundial no vôlei feminino e masculino. Nas Olimpiadas, temos 2 medalhas de ouro, uma de prata e 2 de bronze no vôlei feminino; 3 ouros e 3 pratas no masculino. Sem contar os Campeonatos Mundiais, Liga das Nações, e tantos mais.

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No vôlei feminino vamos, sempre, muito bem, medalha de bronze nas últimas Olimpíadas de Paris. No masculino, já amargamos duas Olimpíadas sem medalhas. Longe disso.

Noto, entretanto, que nas convocações das seleções, por vezes, há “dois pesos, duas medidas”. José Roberto sempre exímio, outstanding em sua excelência, trazendo para o time o que há de melhor no Brasil. No masculino, entretanto, o critério regional tem prevalecido sobre o critério técnico.

Uma vez, conversando com um amigo que foi médico do Cruzeiro, no futebol, perguntei porque tendo sido vice-campeão brasileiro, o Cruzeiro teria tido somente um jogador convocado para a nossa seleção. Ele me disse, que para ser convocado, o time tinha que ser campeão, e, para isso, tinha que vencer os times, a imprensa, os juízes e a CBF.

Terminado o Sul Americano de Vôlei masculino nesta semana passada, Cruzeiro (5 vezes Campeão Mundial) em primeiro lugar, em um eletrizante 3×2, Praia Clube (formado neste ano) em segundo lugar, Sesi-Bauru (Campeão da Superliga de 2024) em terceiro lugar. No feminino, Minas e Praia Clube absolutos.

Fico impressionado de como a convocação do vôlei masculino tem sido nos últimos anos. O argumento é o de que os valores individuais de times que têm perdido são melhores do que os valores individuais dos times que têm ganhado, vitórias atribuídas ao “coletivo”. Certamente uma falácia. Se isso fosse verdade, o que não é, que se contratassem os técnicos dos vencedores. Nem um, nem outro. E fico impressionado com a torcida contra os que são os melhores. Há anos!

Vem aí a convocação da seleção masculina para a Copa do Mundo em setembro nas Filipinas. Que prevaleçam os critérios técnicos sobre os corporativos nas próximas convocações.

*Ricardo Guedes é formado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e do Conselho Editorial do Brasil Confidencial