Fome e desespero: a situação cotidiana dos moradores da Faixa de Gaza há dois anos. (Reprodução TV)


A Organização das Nações Unidas (ONU) obteve permissão de Israel para que aproximadamente 100 veículos de auxílio humanitário ingressem na Faixa de Gaza nesta terça-feira (20), informou um representante do escritório humanitário da ONU.

“Solicitamos e recebemos aprovação para mais caminhões entrarem hoje. São cerca de 100, bem mais do que os autorizados ontem”, disse Jens Laerke, porta-voz do escritório humanitário da ONU, durante coletiva de imprensa em Genebra.

Os caminhões contêm comida e suprimentos para bebês e crianças, segundo Laerke. “Sabemos com certeza que há bebês em necessidade urgente e vital desses suplementos. E, se não os receberem, estarão em perigo de morte”, disse o porta-voz.

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O diretor de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, disse à rede britânica “BBC” nesta terça-feira que a ajuda humanitária entrando em Gaza é “uma gota em um oceano”. Fletcher afirmou também temer que 14 mil bebês possam morrer nas próximas 48 horas se ajuda humanitária suficiente não chegar a Gaza.

A ONU declara constantemente que Gaza, com uma população aproximada de 2,3 milhões de habitantes, necessita de ao menos 500 caminhões diariamente, incluindo assistência humanitária e produtos comerciais. Durante o conflito, caminhões com ajuda têm esperado semanas e até meses na fronteira para adentrar Gaza.

Segundo Laerke, cinco caminhões de ajuda humanitária cruzaram a fronteira para Gaza na segunda-feira, rompendo um bloqueio israelense de 11 semanas. Israel diz ter liberado a entrada de nove veículos.

“O próximo passo é recolhê-los e, em seguida, distribuí-los por meio do sistema já existente —aquele que já se mostrou eficaz”, afirmou Laerke, acrescentando que os caminhões continham alimentos para bebês e produtos nutricionais para crianças.

As taxas de desnutrição em Gaza aumentaram durante o bloqueio israelense e podem crescer exponencialmente se a escassez de alimentos persistir, alertou um responsável de saúde da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), durante a mesma coletiva.

“Tenho dados até o final de abril e eles mostram que a desnutrição está em alta”, disse Akihiro Seita, diretor de Saúde da UNRWA. “E a preocupação é que, se a escassez atual de alimentos continuar, o aumento será exponencial, podendo sair do nosso controle.”

A chegada de auxílio humanitário acontece em meio à ofensiva terrestre de Israel e ataques aéreos diários no território palestino. Os bombardeios israelenses causaram a morte de pelo menos 60 palestinos nesta terça-feira, conforme informou o Ministério da Saúde palestino, controlado pelo grupo Hamas.