BRASIL EM FOCO
Germano Oliveira*
Janeiro foi mês de férias. Fevereiro foi mês de Carnaval. Março será o mês da Páscoa. Abril será a vez de os políticos se desincompatibilizarem dos cargos para disputar as eleições de outubro. De junho a julho será o momento de os candidatos participarem das convenções para a escolha das candidaturas. Agosto será o mês das convenções. Setembro será o mês em que as ações eleitorais atingirão o ápice das campanhas nas ruas, com as barganhas de votos com os eleitores. Em outubro, acontecerão as votações, em primeiro e segundo turno. E aí acabará o ano, porque começarão as transições de governos.
E o Brasil seguirá paralisado, como está desde o final do ano passado. Ou seja, zero de produção. O Congresso (Câmara e Senado) nada produziu ainda. Não votou uma medida importante. Na verdade, a Câmara de Hugo Motta e o Senado de Davi Alcolumbre apenas se empenharam na aprovação, a toque de caixa, do projeto que criou os penduricalhos para os servidores públicos do Congresso, do Judiciário e do Executivo, que concede aumentos de até R$ 77 mil para o funcionalismo e que Lula vetou (pouca coisa que fez de bom durante o ano).

Para não dizer que Lula nada fez, ele vetou também o projeto aprovado no Congresso concedendo anistia para os golpistas, liderados por Bolsonaro. Tanto em um caso como no outro, os parlamentares prometem derrubar os vetos presidenciais. Mas isso não vai durar muito. A esquerda, como o PSOL e alguém do PT, deve apresentar ao STF uma medida arguindo a inconstitucionalidade da derrubada dos vetos, colocando os pingos nos is.
Economia modorrenta
Em termos eleitorais, também não vai acontecer nada além do script. Ou seja, ou vai dar PT, com a reeleição de Lula, ou vai dar a direita burra dos Bolsonaro. O risco é o mesmo. Se der o PT, como se espera, o Brasil vai continuar encalacrado nesses dogmas petistas de gastar mais do que se arrecada, e a gente vai continuar vendo um país convivendo com juros altos para se pagar o serviço da dívida.
Se der os Bolsonaro, vamos ter o Paulo Guedes de volta e ver uma política entreguista às grandes potências e certamente continuaremos de cócoras aos americanos. Nada vai mudar. A não ser que o Brasil tenha coragem de eleger alguém comprometido com o caminho do meio, sem a atual guerra da bipolarização entre a esquerda enfadonha e a extrema-direita fascista.

Fora esse jogo de empurra e da preguiça tanto do Executivo como do Legislativo, o Brasil vai passar o ano sonolento: em 2026 nada vai acontecer de mais dinâmico. A não ser alguns movimentos de queda de juros (deve cair de 15% para 12,5%), da inflação (que pode ficar em torno de 4%) e do PIB (que não vai passar de 2%).
*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.





