O Brasil avança com força na consolidação de sua posição como um dos maiores produtores globais de petróleo e gás. Esse movimento é impulsionado, sobretudo, pela exploração do pré-sal e pelo regime de partilha, que se firmou como um dos pilares estratégicos da política energética nacional. Segundo o 7º Boletim de Exploração e Produção de Petróleo e Gás, divulgado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), o modelo de partilha tem apresentado crescimento acelerado e resultados expressivos para o país.
Em 2024, a produção sob o regime de partilha atingiu 1,3 milhão de barris de óleo equivalente por dia, o que corresponde a 30,3% da produção total brasileira e a 38,7% do volume extraído do pré-sal. A taxa de crescimento anual entre 2017 e 2024 foi de aproximadamente 115%. No primeiro semestre de 2025, esse número subiu para 1,6 milhão de barris por dia, representando 34,5% da produção nacional. Os campos de Búzios e Mero foram os principais responsáveis por esse desempenho, concentrando quase toda a produção sob esse regime.
A Petrobras lidera como operadora, com 64% da produção sob partilha, seguida por empresas multinacionais como a francesa TotalEnergies, com 10,4%, e a britânica Shell, com 8,3%. Ao todo, 14 petroleiras estrangeiras atuam na exploração e produção do pré-sal, o que reforça o caráter atrativo do modelo para o mercado internacional e a presença estratégica do Estado no setor.
Além dos avanços na produção, o regime de partilha tem gerado receitas significativas para o país. Em 2024, a comercialização do excedente de óleo e gás da União rendeu cerca de R$ 10,29 bilhões. Esses recursos são destinados ao Fundo Social, que investe em áreas prioritárias como educação, saúde, ciência e tecnologia, e habitação de interesse social.
No segundo trimestre de 2025, o Brasil registrou um desempenho robusto na produção geral de petróleo e gás. A média foi de 4,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia, um aumento de 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O pré-sal segue como principal fonte, respondendo por 79,4% da produção nacional. Em junho, foi registrado um novo recorde: 3,86 milhões de barris por dia extraídos do pré-sal.
A Bacia de Santos liderou a produção no período, com 78,1% do total nacional, seguida pelas bacias de Campos e Solimões. A Petrobras manteve sua posição como principal operadora, responsável por 89,4% da produção total do país no segundo trimestre.
Na área de gás natural, o Brasil produziu, em média, 174 milhões de metros cúbicos por dia no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 20,7% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, apenas 33,1% desse volume foi comercializado. A maior parte, 54,1%, foi reinjetada nos poços para aumentar a produtividade do óleo.
As exportações também apresentaram crescimento expressivo. No segundo trimestre de 2025, o Brasil exportou, em média, 2,1 milhões de barris de petróleo por dia, o que representa 56,6% da produção nacional e um aumento de 36,7% em relação ao trimestre anterior. Os principais destinos foram China (46%), Estados Unidos (11,2%) e Espanha (8,7%). Apesar do alto volume exportado, o país também importa petróleo, principalmente dos Estados Unidos, Arábia Saudita e Guiana, para atender às especificidades do parque de refino. A média de importação no período foi de 240 mil barris por dia.
Com crescimento sustentado, arrecadação bilionária e protagonismo da Petrobras, o setor de óleo e gás reafirma sua importância estratégica para a economia brasileira e para o desenvolvimento social do país.




