Em meio à polêmica gerada pela aprovação da PEC da Blindagem, que visa proteger parlamentares contra processos penais no Supremo Tribunal Federal (STF), três deputados federais se manifestaram publicamente em redes sociais para pedir desculpas aos seus eleitores e justificar seus votos favoráveis ao texto. A PEC, que passou pela Câmara dos Deputados em dois turnos, segue agora para análise do Senado, onde pode enfrentar resistências.
Silvye Alves: “Erro gravíssimo”
A deputada Silvye Alves (União-GO) foi uma das primeiras a se manifestar, gravando um vídeo no Instagram para pedir perdão aos seus eleitores. Ela reconheceu que seu voto a favor da PEC foi um “erro gravíssimo”, afirmando que foi pressionada por “pessoas influentes do Congresso” que a ameaçaram com retaliações caso votasse contra a proposta. Segundo Silvye, ela cedeu à pressão e mudou sua posição à noite, depois de várias ligações que a alertaram sobre as consequências de um voto contrário.
“Eu vim aqui, humildemente, pedir desculpas aos meus eleitores. Eu cometi um erro gravíssimo. Eu fui contra tudo que eu defendo, tudo que eu acredito. Comecei a receber muitas ligações de pessoas influentes do Congresso, se é que vocês me entendem. Ligaram dizendo que, com a votação contra, eu sofreria retaliações. Eu fui covarde e cedi à pressão, por volta de quase 23h, eu mudei meu voto. Eu quero pedir perdão”, disse Silvye em sua postagem.
Merlong Solano: “Grave equívoco”
Outro parlamentar que se desculpou foi o deputado Merlong Solano (PT-PI), que publicou uma nota nas redes sociais para justificar seu voto a favor da PEC. Solano, que classificou sua decisão como um “grave equívoco”, explicou que seu voto tinha a intenção de preservar o diálogo entre o PT e a presidência da Câmara, então ocupada por Hugo Motta (Republicanos-PB). O deputado disse que esperava evitar o avanço de uma possível anistia e garantir a votação de pautas importantes para o país, como isenção do Imposto de Renda e taxação de grandes fortunas.
“Meu objetivo era ajudar a impedir o avanço da anistia e viabilizar a votação de pautas importantes para o povo brasileiro. No entanto, o acordo político foi rompido e a PEC foi aprovada com sérias irregularidades, incluindo o retorno do voto secreto”, explicou Solano. O deputado também anunciou que assinou um mandado de segurança junto ao STF para anular a votação da PEC e contestar o restabelecimento do voto secreto.
Pedro Campos: “Não escolhemos o melhor caminho”
Pedro Campos (PSB-PE), deputado e irmão do prefeito do Recife, João Campos, também se posicionou nas redes sociais, defendendo que seu voto a favor da PEC visava preservar a governabilidade e impedir o boicote a pautas essenciais para o governo Lula. No entanto, Campos reconheceu que a estratégia adotada não foi a melhor, especialmente após a PEC ter sido aprovada com manobras controversas, como o retorno do voto secreto para processos contra parlamentares.
“O meu voto foi uma tentativa de viabilizar pautas importantes como a ampliação da tarifa social de energia e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil. No entanto, temos a humildade de reconhecer que não escolhemos o melhor caminho. A PEC passou do jeito que nós não queríamos, inclusive com a manobra para voltar o voto secreto”, afirmou Campos, que também assinou um mandado de segurança para anular a votação.
Thiago de Joaldo: “Vergonha é insistir no erro”
Outro que recorreu às redes sociais para se explicar foi o deputado Thiago de Joaldo (PP-SE). Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o parlamentar reconheceu publicamente que cometeu um erro ao votar favoravelmente à PEC da Blindagem e afirmou estar revendo sua posição. “Errei ao votar favoravelmente à PEC da Blindagem. Vergonha é insistir no erro; coragem é assumi-lo de frente e lutar para consertar”, escreveu ele na legenda da publicação.
Joaldo declarou que seu voto não teve como objetivo proteger políticos envolvidos em crimes ou oferecer “salvo-conduto” a práticas ilícitas, e que mudou sua percepção ao ouvir especialistas, acompanhar a cobertura da imprensa e, principalmente, prestar atenção às críticas da população. “Nunca busquei proteger criminosos nem dar salvo-conduto para qualquer prática ilícita. A partir daí, comecei a ouvir especialistas, acompanhar a imprensa e, sobretudo, escutar os comentários do povo”, afirmou.
O deputado concluiu sua fala reforçando o pedido de desculpas e se comprometendo a trabalhar para reverter os efeitos da proposta. “Reconheço que falhei, peço desculpas e trabalharei para corrigir esse erro, somando-me a outros colegas que também ouviram as vozes das ruas, para derrubar a PEC no Senado e questionar possíveis vícios de tramitação”, concluiu Joaldo.
A PEC da Blindagem, que foi aprovada com 353 votos a favor e 134 contra no primeiro turno, e 344 a favor e 133 contra no segundo turno, segue agora para o Senado. O texto já tem gerado resistência, com muitas críticas à possibilidade de beneficiar parlamentares envolvidos em investigações no STF, incluindo a reintrodução do voto secreto para autorizar processos contra eles.




