A Polícia Federal conduziu, nesta quinta-feira (23), uma operação em Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim, cidades do interior de São Paulo, dentro de investigações determinadas pela Justiça Federal sobre a aplicação considerada irregular de R$ 13 milhões do Instituto de Previdência Municipal (IPREM) em investimentos ligados ao Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Entre os alvos estão o ex-diretor-presidente do IPREM, Hortêncio Lala Neto, a ex-supervisora de gestão Marlene Maria Vieira Bassani e três membros do comitê de investimentos — Maria de Lourdes Villalva, Hélio Augusto Moraes e Tatiana Feliz dos Reis.
A Justiça determinou o afastamento dos investigados de funções públicas e o bloqueio de seus bens.
A investigação teve início após alerta da Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que identificou risco de má gestão dos recursos. O Ministério Público de Contas de São Paulo já havia advertido, em abril de 2025, sobre a exposição de diversos institutos municipais ao Banco Master, somando centenas de milhões de reais.
No caso de Santo Antônio de Posse, o IPREM mantinha R$ 8,2 milhões em Letras Financeiras do banco no momento da liquidação, conforme relatório publicado no Portal da Transparência em setembro de 2025.
À época, o instituto declarou que os investimentos seguiam as normas legais e que acompanhava a situação sob supervisão da massa liquidante.
Em entrevista no ano passado, Hortêncio Neto afirmou que a decisão de investir no Banco Master foi tomada em 2024 para cumprir metas de rentabilidade, com aval do conselho deliberativo e do conselho fiscal. Segundo ele, o banco oferecia retorno competitivo e não havia restrições regulatórias naquele momento.
A atual diretora do IPREM, Alessandra Aparecida Vasco, informou que o instituto administra cerca de R$ 130 milhões, dos quais aproximadamente 5% estavam aplicados no Master, sem impacto imediato para os 380 aposentados e pensionistas.
As apurações estão sob responsabilidade da Polícia Federal, do Ministério Público e de órgãos reguladores como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.





