A Polícia Federal (PF) instaurou nesta quarta-feira (4) um inquérito para investigar o Grupo Fictor por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. A abertura do procedimento havia sido antecipado pelo portal Brasil Confidencial. A decisão ocorreu em meio a movimentação ao pedido de recuperação judicial da companhia, protocolado no início da semana.
A investigação da PF foca em quatro frentes principais:
- Gestão fraudulenta e apropriação indébita financeira;
- Emissão de títulos sem lastro;
- Operação de instituição financeira sem a devida autorização legal.
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Conexão com a crise do Banco Master
O caso do Grupo Fictor está intrinsecamente ligado à derrocada do Banco Master. Em novembro de 2025, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do Master sob alegações de fraude e insuficiência de garantias. Na ocasião, o proprietário do banco, Daniel Vorcaro — preso em operação da PF — afirmou que a instituição seria vendida ao Fictor em uma parceria com investidores árabes.
O Banco Central, no entanto, classificou o anúncio da venda como uma “cortina de fumaça”. Segundo a autoridade monetária, o Grupo Fictor não possuía capacidade financeira para a aquisição e os supostos investidores estrangeiros jamais foram identificados. Para o BC, a proposta foi uma tentativa de retardar ações regulatórias e policiais.
Crise de liquidez e dívida bilionária
No último domingo (1º), o Grupo Fictor recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo para solicitar proteção contra credores. A empresa declarou um passivo estimado em R$ 4 bilhões, justificando a medida como necessária para reequilibrar suas operações.
Em nota oficial, o grupo atribuiu sua atual crise de liquidez à repercussão negativa da liquidação do Banco Master. A companhia sustenta que as especulações após o anúncio da compra frustrada atingiram a reputação da Fictor Invest e da Fictor Holding, interrompendo o fluxo de capital e gerando instabilidade operacional.
Análise de Fluxo de Capital
A Polícia Federal informou que já monitorava as atividades do grupo e que os novos indícios de irregularidades tornaram a abertura do inquérito formal indispensável para a preservação do sistema financeiro.


