O ex-governado do Rio Cláudio Castro e o dono da Refit, Ricardo Magro: PF vincula ambos. (Reprodução)


Agentes federais realizaram buscas na residência do ex-governador Cláudio Castro na manhã desta sexta-feira (15), como parte de uma investigação sobre um suposto esquema de evasão fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo uma das refinarias de petróleo mais endividadas do Brasil.

A operação, denominada “Sem Refino”, marca uma nova fase de instabilidade política no estado do Rio de Janeiro. O caso está inserido no âmbito da “ADPF das Favelas”, um processo que investiga a simbiose entre organizações criminosas e agentes públicos fluminenses.

Segundo os investigadores, a Refit teria utilizado uma complexa rede de empresas de fachada para ocultar patrimônio e enviar ilegalmente recursos para o exterior. O grupo é apontado como o maior devedor de ICMS em São Paulo e um dos principais devedores da União, acumulando passivos bilionários enquanto patrocina eventos de alto perfil, como a NFL e o UFC.

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A Polícia Federal também cumpriu mandados de busca contra outras figuras do judiciário e do Ministério Público, incluindo o desembargador afastado Guaraci Vianna e o ex-procurador Renan Saad. No total, 17 mandados foram executados.

Um Estado em Transição

A ação ocorre em um momento de vácuo de poder no Palácio Guanabara. Cláudio Castro renunciou ao cargo em 23 de março, antecipando-se a um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível por abuso de poder econômico nas eleições de 2022.

Atualmente, o Rio é governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça. O Supremo Tribunal Federal ainda delibera se o sucessor definitivo de Castro será escolhido por meio de eleições diretas ou por uma votação indireta na Assembleia Legislativa.

Magro, alvo da operação

Ricardo Magro, 51, é uma figura central e polarizadora no setor de energia brasileiro. Advogado especializado em direito tributário, ele frequentemente atribui seus problemas jurídicos a uma “perseguição institucional” orquestrada por grandes distribuidoras e, mais recentemente, a ameaças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entretanto, o histórico de Magro é extenso. Em 2016, ele foi alvo de investigações sobre desvios em fundos de pensão da Petrobras. Mais recentemente, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) questionou a própria natureza operacional da Refit, sugerindo que a empresa importa combustíveis prontos em vez de refiná-los, apenas para usufruir de benefícios fiscais destinados a refinarias.

Em nota, a defesa de Cláudio Castro informou que ainda não teve acesso integral aos autos, mas que o ex-governador acompanhou as buscas em sua residência na Barra da Tijuca e permanece à disposição das autoridades.