A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto - Reprodução


A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça a prisão do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça no último mês. O pedido ocorreu após a anexação ao processo de laudos necroscópicos e periciais que indicam ferimentos no rosto e no pescoço da vítima, sugerindo que ela pode ter desmaiado antes de ser baleada e não apresentou sinais de defesa. O Ministério Público de São Paulo deu aval à solicitação, mas até o momento o Judiciário ainda não se pronunciou.

O corpo de Gisele foi exumado e passou por novos exames no Instituto Médico-Legal (IML), incluindo tomografia. Os peritos apontaram lesões contundentes compatíveis com pressão digital e arranhões de unhas, além de manchas de sangue espalhadas por diferentes cômodos do apartamento. Laudos toxicológicos indicam que a vítima não consumiu álcool ou drogas no momento da morte, e não havia sinais de gravidez ou dopagem.

O caso começou registrado como suicídio, mas a investigação foi reclassificada como morte suspeita após questionamentos da família da policial. Testemunhas relataram inconsistências no depoimento do tenente-coronel, como o horário em que ouviu o disparo, a forma como a arma estava posicionada na mão da vítima e o estado emocional do marido, que segundo socorristas não demonstrava desespero ou tentativa de prestar socorro.

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Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan no local, que teria sido acionado pelo tenente-coronel logo após o disparo. Além disso, câmeras de segurança registraram a entrada de policiais no apartamento horas depois da morte, aparentemente para limpeza, fato que será investigado.

As defesas do tenente-coronel e do desembargador afirmaram que ambos têm colaborado com as autoridades e que ainda prestarão esclarecimentos à polícia. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Militar, com expectativa de novos laudos complementares que possam esclarecer a dinâmica da morte de Gisele Alves Santana.