O caso do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 3, com a entrega de um dos principais suspeitos à polícia, que teve prisão decretada pela Justiça.
Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, apresentou-se na 12ª DP (Copacabana) após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público e tornar réus os quatro jovens envolvidos.
João Gabriel Xavier Berthô, de 19 anos, se entregou no fim da manhã desta terça-feira (3) em uma delegacia do Rio de Janeiro.
O grupo responderá pelos crimes de estupro de vulnerável e cárcere privado, mas dois deles — incluindo o filho de um subsecretário estadual — permanecem foragidos.
O crime, que chocou o Rio de Janeiro pela brutalidade, começou a ser desenhado na noite de 31 de janeiro. Segundo o inquérito da Polícia Civil, a vítima foi atraída por um ex-namorado, também menor de idade, para um encontro em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro.
O convite parecia comum: um momento a dois. No entanto, ao chegar ao local, a jovem foi surpreendida por outros quatro rapazes.
No elevador, o ex-namorado teria sugerido “algo diferente”, proposta recusada imediatamente pela adolescente.
Já dentro do quarto, enquanto mantinha relação com o ex, os outros quatro suspeitos invadiram o cômodo.
A vítima relatou em depoimento categórico que aceitou apenas que eles assistissem, sob a condição de que não a tocassem.
A negativa foi ignorada. O grupo passou a agredi-la com socos e chutes para forçar atos sexuais e penetração por todos os presentes.
O entrave judicial
Apesar da gravidade do relato e das provas colhidas, a investigação esbarrou na burocracia do plantão judiciário. O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, solicitou as prisões e mandados de busca e apreensão logo após o crime, mas o pedido não foi considerado “urgente” pelo magistrado de plantão.
O processo vagou por diferentes varas até que as ordens de prisão fossem finalmente expedidas na última sexta-feira — 21 dias após o pedido inicial.
Esse hiato temporal foi fatal para a eficácia das prisões. Como as defesas já tinham acesso aos autos, o “fator surpresa” foi perdido. Quando os agentes chegaram aos endereços, os suspeitos já haviam fugido.
“O ‘não’ dela é muito precioso e importa”, desabafou a mãe da vítima à polícia, criticando as tentativas de desqualificar o depoimento da filha.
Provas e foragidos
As evidências contra os réus são robustas. O laudo de corpo de delito confirmou lesões genitais, sangramento e hematomas compatíveis com violência física. Além disso, câmeras de segurança mostraram o ex-namorado fazendo gestos de “comemoração” após a saída da jovem do prédio.
Entre os que seguem foragidos está Vitor Hugo Oliveira Simonin, filho do subsecretário estadual de Governança, José Carlos Costa Simonin.
O governo do estado e a Secretaria da Mulher emitiram notas de repúdio, classificando o ato como “barbárie” e oferecendo suporte psicológico à vítima.
A polícia agora concentra esforços na captura dos três remanescentes: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho e o próprio Vitor Hugo.
A apreensão dos celulares dos envolvidos é considerada a peça-chave final para verificar se houve filmagem do crime ou troca de mensagens combinando a emboscada.
Penalidade prevista pela legislação brasileira
Estupro de vulnerável (art. 217-A do Código Penal): Pena de 8 a 15 anos de reclusão.
Cárcere privado (art. 148 do Código Penal): Pena de 1 a 4 anos de reclusão, podendo ser aumentada se houver violência, grave ameaça ou se a vítima for menor de idade.
Estupro coletivo (Lei nº 13.718/2018): Configura causa de aumento de pena, podendo elevar a condenação em até 2/3 .




