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Chile quer punir pobres com corte de benefícios sociais

Presidente de extrema-direita vai criar “cadastro de vândalos”; críticos veem risco de discriminação e exclusão de direitos sociais

Chile quer punir pobres com corte de benefícios sociais

Chile quer punir pobres com corte de benefícios sociais.

da Redação

03 junho 2026

O presidente do Chile, José Antonio Kast, alinhado a Donald Trump, anunciou que pretende punir as chamadas “incivilidades” com a perda de benefícios sociais. A medida foi apresentada em seu primeiro discurso à nação, no Congresso, menos de três meses após assumir o cargo.

Entre as infrações listadas estão venda ilegal de bebidas alcoólicas, consumo de drogas em vias públicas, pichações sem autorização e depredação de equipamentos comunitários. Kast afirmou que enviará ao Legislativo um projeto de lei para criar um cadastro de vândalos e incivilidades, que incluiria também ataques a policiais, profissionais de saúde, retenção de transporte público, tráfico de drogas e danos a monumentos nacionais.

Segundo o presidente, os infratores perderiam benefícios como gratuidade no ensino superior, previdência universal e auxílio-aluguel. A proposta, porém, acendeu debate público e dividiu opiniões.

Para o cientista político Alfredo Joignant, a medida pode resultar em exclusão de direitos sociais e discriminação por classe. “Os beneficiários dos programas sociais são os mais pobres e vulneráveis, não as classes abastadas, onde também há incivilidades”, afirmou.

Já o subsecretário do Interior, Máximo Pavez, defendeu que o registro fortalecerá as ferramentas do Estado para garantir ordem pública e recuperar espaços para as famílias chilenas.

Críticas também vieram de aliados. O presidente da Câmara, Jorge Alessandri (UDI), pediu cautela: “Não dá para comparar pichar a escola com jogar gasolina no diretor. Tirar a gratuidade escolar pode marginalizar ainda mais o jovem”.

O sociólogo Eugenio Tironi classificou a iniciativa como “autoritarismo de veludo”, enquanto o senador socialista Juan Luis Castro disse que a medida busca evitar explosões sociais como as de 2019.

O projeto, que ainda será discutido no Congresso, expõe a tensão entre a promessa de ordem pública e os riscos de ampliar desigualdades sociais no país.

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