da Redação
03 junho 2026
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, recebeu R$ 1 milhão em emenda parlamentar (dinheiro público) indicada pelo deputado federal bolsonarista Mário Frias (PL-SP) para executar o projeto Jovem Empreendedor em Pirassununga, interior de São Paulo.
A iniciativa, porém, não saiu do papel. Parte dos recursos foi destinada a contratos com empresas e pessoas próximas ao parlamentar, sem comprovação de entrega dos serviços.
A verba, liberada em 2024, previa a distribuição de kits pedagógicos e a criação de uma plataforma digital para capacitar jovens.
Segundo autoridades locais, nada foi implementado. Escolas da cidade não receberam os materiais prometidos e não houve atividades relacionadas ao programa.
Do total, R$ 400 mil foram pagos à Editora Dinâmica, responsável por fornecer 2.750 kits de livros.
Os exemplares nunca chegaram às instituições de ensino. Outros R$ 300 mil foram destinados ao Instituto Super Poder Educacional, contratado para desenvolver aulas e conteúdos digitais, também sem execução comprovada.
O advogado Fabio Lago Meirelles, que atua em diversos processos pessoais de Frias, recebeu R$ 80 mil por serviços jurídicos e contábeis. A relação direta entre o parlamentar e o beneficiário reforçou suspeitas de conflito de interesses.
A presidente do ICB, Karina Ferreira da Gama, é também dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, obra que exalta Jair Bolsonaro. O instituto já havia sido citado em investigações da Polícia Civil de São Paulo sobre suposto desvio de recursos públicos para financiar a produção.
Além da emenda de R$ 1 milhão, o ICB firmou contratos de R$ 5 milhões com o Governo do Distrito Federal para o programa Steam Maker, voltado à educação digital. Esses acordos também estão sob investigação por irregularidades.
A Editora Dinâmica, beneficiária de parte da verba, pertence a Dayvid Medeiros, sócio de Heric Fabiano Dias. A esposa de Dias doou R$ 70 mil à campanha de Frias em 2022. O caso levanta suspeitas sobre a utilização de recursos públicos em benefício de aliados políticos.
Em Pirassununga, gestores educacionais afirmam que não houve qualquer contato da ONG ou entrega de materiais. “Nada chegou às escolas. O projeto não existiu”, disse um servidor municipal.
O Ministério Público e a Polícia Civil investigam se houve fraude e desvio de recursos. A suspeita é de que parte da verba tenha sido usada para custear despesas privadas e apoiar a produção do filme.
Frias nega irregularidades e afirma que os contratos seguiram a legislação. Já o ICB não respondeu aos questionamentos da reportagem.
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