da Redação
01 junho 2026
Israel avisou que atacaria o bastião do Hezbollah em Beirute após a morte de seu 13º soldado por um drone FPV, nesta segunda-feira, na região do Castelo de Beaufort. O Irã ameaçava revidar com mísseis balísticos contra o norte de Israel. Um porta-voz iraniano anunciou o fim do diálogo indireto com os Estados Unidos e voltou a acenar com o fechamento do Canal de Suez. A guerra entre Israel, Hezbollah, Irã e EUA parecia iminente. De repente, deixou de ser.
No domingo, em Beirute, o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, procurou o embaixador americano Michel Issa para transmitir uma mensagem: o Hezbollah estava disposto a aceitar um cessar-fogo imediato, sem exigir a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump fazia circular uma proposta de trégua limitada.
“Por que um cessar-fogo parcial? Tenhamos um cessar-fogo total”, respondeu Berri, que mantém contato com o líder do Hezbollah, Naim Qassem, refugiado no Irã.
A tensão continuou crescendo. Moradores começaram a deixar Dahiya, reduto do Hezbollah ao sul de Beirute, após novas ameaças do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O preço do petróleo subiu nos mercados internacionais. Os Estados Unidos interceptaram dois mísseis balísticos iranianos que seguiam em direção à sua base no Kuwait.

Foi no auge dessa escalada que Trump anunciou uma reviravolta. Em mensagem publicada na rede Truth Social, afirmou ter mantido uma “conversa muito produtiva” com Netanyahu.
“Não haverá forças entrando em Beirute; todas as forças que estavam a caminho já foram mandadas de volta”, escreveu. Segundo Trump, representantes americanos também mantiveram contatos com o Hezbollah e obtiveram o compromisso de suspensão dos ataques. “Israel não os atacará, e eles não atacarão Israel.”
O presidente americano acrescentou que “as negociações com o Irã estão progredindo rapidamente”, apesar das declarações vindas de Teerã indicando o contrário. Na sexta-feira, a Casa Branca devolveu com emendas o Memorando de Entendimento que era considerado praticamente concluído.
O negociador iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf não informou se aceitará as novas condições americanas. Limitou-se a advertir, numa mensagem publicada no X: “Cada escolha tem seu preço, e a conta chega”.
Para o chanceler Abbas Araghchi, “o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano”.
Esta será a terceira tentativa de trégua entre Hezbollah e Israel. As duas anteriores fracassaram.
O que evitou a guerra em larga escala permanece objeto de disputa. A oposição israelense sustenta que Netanyahu recuou diante de uma ordem direta de Trump, sinal de uma inédita limitação da autonomia israelense. Os iranianos proclamam vitória diplomática. Já a Casa Branca apresenta o episódio como prova de sua capacidade de conter simultaneamente Israel, Hezbollah e Irã.
A trégua, porém, suspende a escalada sem eliminar suas causas. A guerra que quase começou continua à espera do próximo teste.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.
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