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Inflação volta a subir pela 13ª semana e pressiona Banco Central

Focus eleva IPCA a 5,11%, acima da meta; Selic segue alta e risco externo amplia incertezas

da Redação

08 junho 2026

Inflação volta a subir pela 13ª semana e pressiona Banco Central

A inflação brasileira voltou a ganhar força e desafia o Banco Central em um cenário de tensões geopolíticas. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) elevou pela 13ª semana seguida a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 5,09% para 5,11% em 2026, acima do teto da meta oficial de 4,5%. O movimento reflete a pressão dos combustíveis e alimentos, em meio à guerra no Oriente Médio, e reforça a necessidade de cautela na condução da política monetária.

Contexto e interpretação

Meta estourada: O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu para este ano uma meta de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A nova projeção já ultrapassa esse limite, sinalizando perda de controle sobre a inflação.

Pressão dos preços: Em abril, o IPCA avançou 0,67%, puxado por alimentos, acumulando 4,39% em 12 meses. O dado de maio será divulgado pelo IBGE na sexta-feira (12).

Risco externo: O prolongamento da guerra no Oriente Médio mantém os preços do petróleo em alta, contaminando o custo dos combustíveis e, por consequência, a inflação global e doméstica.

Política monetária

Selic elevada: A taxa básica de juros está em 14,5% ao ano, após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Apesar da desaceleração recente da inflação, o Copom evita sinalizar novos movimentos diante da incerteza externa.

Projeções futuras: O mercado estima Selic em 13,5% até o fim de 2026, recuando gradualmente para 11,5% em 2027 e 10% em 2028 e 2029.

Impacto econômico: Juros altos encarecem o crédito e limitam o crescimento, mas são considerados necessários para conter a escalada dos preços.

PIB e câmbio

Crescimento moderado: A previsão para o PIB em 2026 foi ajustada de 1,9% para 1,91%. O país cresceu 1,1% no primeiro trimestre e 2,3% em 2025, com destaque para a agropecuária.

Dólar estável: A moeda norte-americana deve encerrar 2026 em R$ 5,15, com expectativa de R$ 5,20 em 2027.

Riscos

Inflação persistente: A sequência de revisões para cima no Focus indica dificuldade em ancorar expectativas.

Cenário internacional: A guerra no Oriente Médio adiciona volatilidade aos preços de energia e alimentos, ampliando a pressão sobre o BC.

Atividade doméstica: Juros elevados podem comprometer a expansão da economia, mesmo após cinco anos consecutivos de crescimento.

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